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Correio da Manhã

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Motins continuam em Paris

Paris viveu esta segunda-feira mais uma madrugada de violência, com mais de duzentos jovens a cercarem as forças policiais em confrontos que causaram ferimentos em 35 polícias. Cerca de 1400 viaturas foram incendiadas e mais de 395 jovens foram detidos. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse hoje que a proibição de usar o véu islâmico nas escolas públicas de França é um dos motivos para os acontecimentos violentos ocorridos nos arredores da capital francesa. Um homem, de 60 anos, morreu vítima de agressões.
7 de Novembro de 2005 às 09:25
Um polícia mostra um cartucho de caçadeira, após novos confrontos em Grigny, no Sul de Paris
Um polícia mostra um cartucho de caçadeira, após novos confrontos em Grigny, no Sul de Paris FOTO: Frank Prevel, Reuters
Fonte oficial do ministério francês do Interior confirmou, esta manhã, a morte de um homem, de 60 anos, que se encontrava em coma desde sexta-feira, pois de ter sido atacado por jovens no subúrbio de Stains, arredores de Paris.
Esta foi a primeira vítima mortal de 11 dias consecutivos de confrontos. Domingo à noite, mais de três dezenas de agentes das forças da ordem ficaram feridos, dois deles com gravidade, atingidos por tiros de caçadeira. No início de mais uma noite de motins, as autoridades contabilizavam já mais 1400 veículos incendiados, incluindo autocarros e camiões. Esta manhã a polícia de Paris confirmou a detenção de 395 pessoas, algumas das quais acusadas de disparar contra as forças de segurança.
Um dos bairros mais problemáticos onde ocorreram situações mais complicadas foi em Grigny, um subúrbio do sul de Paris, onde os jovens amotinados alvejaram a tiro as forças anti-distúrbios. O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, visitou os dois agentes feridos com mais gravidade que se encontram hospitalizados.
Noutro bairro dos arredores de Paris, uma criança de 13 meses teve de ser hospitalizada após ter sido ferida por pedras lançadas contra um autocarro. Também nos subúrbios da capital francesa, pelo menos três escolas foram incendiadas, além de terem sido atacadas duas igrejas, esquadras de Polícia, um centro de apoio social e um entreposto farmacêutico. Os jovens atacaram ainda uma estação de metro com um carro incendiado. As autoridades francesas consideraram esta a noite mais violenta de 11 dias consecutivos de confrontos entre grupos de jovens e a polícia.
PM TURCO CULPA ‘SENTIMENTO DE EXCLUSÃO’
Em reacção à onda de violência urbana verificada nos subúrbios de Paris, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan disse, em entrevista ao jornal Milliyet , que a mesma teve origem nas escolas de França, depois da entrada em vigor da lei que proíbe o uso do véu islâmico - e de outros sinais exteriores de religiosidade. O chefe do governo turco assinala que esta medida contribuiu para “um sentimento de exclusão” das comunidades de imigrantes e "atiçou" a violência.
A onda de violência urbana começou nos bairros pobres dos arredores de Paris, alastrando de seguida a outras cidades, depois da morte, a 27 de Outubro, de dois adolescentes filhos de pais imigrantes em Seine-Saint-Dennis (arredores norte da capital).
INCIDENTES NA BÉLGICA E NA ALEMANHA
Incidentes similares ocorridos na Bélgica e na Alemanha, na noite de domingo, estão a ser relacionados com a onda de viol~encia que alastra em França.
Na Bélgica, as autoridades locais confirmaram a ocorrência de “incidentes localizados” num bairro no sul de Bruxelas, onde residem muitos estrangeiros.
Cinco automóveis foram incendiados, pouco depois das 22h00 locais (21h00 em Lisboa), imediações da Gare du Midi, declarou um porta-voz da polícia belga, Albert Roossens. As autoridades confirmam que os cinco veículos foram alvo de fogo posto, no entanto, não foi identificado até ao momento qualquer suspeito.
Em Berlim, desconhecidos deitaram fogo na madrugada de hoje a cinco automóveis, informou um porta-voz da polícia, que não excluiu a possibilidade de os autores do crime quererem imitar os autores dos graves distúrbios em França.
Os carros foram incendiados no bairro de Moabit, que tem uma alta percentagem de imigrantes, sobretudo de origem turca, entre a meia-noite e as 3h30 de hoje, hora local, segundo a polícia.
No fim-de-semana, houve também uma série de fogos postos contra carros, uma escola abandonada e um contentor de lixo em Bremen, no norte da Alemanha, também uma cidade com numerosa colónia de imigrantes.
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