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Correio da Manhã

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MOTORISTA DE BIN LADEN NO BANCO DOS RÉUS

Quase três anos após o início da guerra contra o terrorismo, os EUA começaram ontem a julgar os primeiros “combatentes inimigos” no controverso tribunal especialmente construído na base de Guantanamo, em Cuba. O motorista e guarda-costas do líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, foi o primeiro a sentar-se no banco dos réus.
25 de Agosto de 2004 às 00:00
Criticado pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos, como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, o tribunal é formado por cinco juízes, todos militares, com poderes para condenar à morte os acusados. Quer os advogados de acusação quer os de defesa são igualmente militares, e os réus – todos estrangeiros, uma vez que os detidos de nacionalidade americana serão julgados pela Justiça dos EUA – não têm direito a pedir recurso.
Dos 585 prisioneiros detidos na base norte-americana de Guantanamo, quatro foram formalmemte acusados de conspiração para cometer crimes de guerra e são precisamente estes quatro que esta semana enfrentam as audiências preliminares do processo, que deverão confirmar as acusações específicas de que são alvo e determinar uma data para o início do julgamento propriamente dito.
O primeiro a sentar-se no banco dos réus, ontem, foi Salim Ahmed Hamdan, um iemenita que admite ter sido motorista e guarda-costas de bin Laden, e que foi formalmente acusado de cumplicidade com organização terrorista. Hoje será a vez de David Hicks, conhecido como o “taliban australiano” e que, para além de acusações semelhantes às de Hamdan, deverá ser acusado de tentativa de homicídio e de ajuda ao inimigo. Até ao final da semana deverão ser ainda presentes ao tribunal o sudanês Ahmed Mahmoud al-Qosi e o iemenita Ali Hamza al-Bahlul, alegados guarda-costas do líder da al-Qaeda.
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