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MP venezuelano ordena deter deputado socialista por alegada corrupção

Pedido foi feito pelo novo Procurador-Geral da Venezuela, Tarek William Saab, designado recentemente pela Assembleia Constituinte.
Lusa 16 de Agosto de 2017 às 23:06
Parlamento venezuelano
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O Ministério Público venezuelano (MP) decretou esta quarta-feira que o deputado chavista Germán Ferrer, marido da ex-Procuradora-Geral Luísa Ortega Díaz, seja detido e permaneça na sua residência até que lhe seja levantada a imunidade parlamentar.

O pedido foi feito pelo novo Procurador-Geral da Venezuela, Tarek William Saab, designado recentemente pela Assembleia Constituinte, após receber uma denúncia de que estaria envolvido numa rede de extorsão que funcionaria dentro do MP.

Eleito pelo Partido Socialista Unido da Venezuela, Germán Ferrer, segundo o procurador, teria aberto "várias contas, por vários milhões de dólares" apesar de não ter um salário suficiente para tal.

"O valor global é superior a seis milhões de dólares, no banco UBS, nas Bahamas. A abertura de contas tem códigos cifrados", precisou Tarek William Saab numa conferência de imprensa em Caracas.

A ordem do MP tem lugar depois de Diosdado Cabello, que é tido como o segundo homem mais forte do chavismo e é membro da Assembleia Constituinte, denunciar que Germán Ferrer fazia parte de um "cartel de extorsão" e pediu ao MP a sua detenção imediata.

O MP designou dois fiscais, um com competência em legitimação de capitais e outro em delitos de corrupção para investigarem a existência da alegada rede de corrupção.

Entretanto, funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN, serviços secretos) da Venezuela efetuaram esta quarta-feira uma rusga na casa do deputado e da mulher, a ex-Procuradora-Geral Luísa Ortega Díaz, tendo detido a emprega que se encontrava no sítio, nas residências La Cañada, em Caracas.

Nos últimos meses, Germán Ferrer e a mulher, a então procuradora Luísa Ortega Díaz, criticaram fortemente o Governo do Presidente Nicolás Maduro e fizeram campanha aberta contra a convocatória a uma Assembleia Constituinte.

Em abril último, Luísa Otega Díaz denunciou uma "rutura da ordem constitucional", quando o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) emitiu duas sentenças limitando a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento.

Luísa Ortega Díaz denunciou ainda a existência de alegadas irregularidades na designação de alguns magistrados do STJ, acusando-os de, através das sentenças, atentarem contra a forma republicana.

Por outro lado, denunciou que a aprovação de uma Assembleia Constituinte permitiria instaurar um regime autoritário no país.
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