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Mulher presa há 18 anos por ter matado os quatro filhos bebés pode estar inocente, revelam cientistas

Este pode ser um dos piores erros judiciais da história australiana.
Correio da Manhã 20 de Março de 2021 às 15:39
Kathleen Folbigg
Kathleen Folbigg FOTO: Getty Images
Foi condenada por um dos piores crimes que se pode cometer: homicídio dos filhos bebés. Kathleen Folbigg passou os últimos 18 anos na cadeia acusada de ter assassinado os quatro filhos bebés, mas tudo pode ter sido um erro grosseiro. Um dos piores erros judiciais da história australiana. 

Novas provas científicas, que levaram 90 cientistas a pedir ao governador de New South Wales que perdoasse Folbigg e a deixasse sair em liberdade, indicam que pelo menos dois dos bebés morreram de uma mutação genética previamente desconhecida que levou a complicações cardíacas.

O caso não fica por aqui. Os cientistas estão a investigar mais pormenores sobre o síndrome da morte súbita infantil - um termo genérico para quando crianças morrem repentinamente de causas inexplicáveis ??- e estas novas descobertas podem ajudar a conhecer as causas da morte de outras crianças. 

A história trágica de Kathleen que a levou à cadeia
A vida desta mulher nunca foi fácil. Desde os primeiros meses de vida que a condenada enfrenta golpes duros nomeadamente quando aos 18 meses de vida, o pai esfaqueou a mãe até à morte sendo preso por 15 anos e deportado para Inglaterra. 

Kathleen terá sofrido abusos sexuais do pai, segundo indicou um médico num inquérito de 2019 sobre as condenações de Folbigg, desencadeando problemas comportamentais.

No final dos anos de 1980, caou com Craig Folbigg, um homem que conheceu numa discoteca de Newcastle. Tiveram o primeiro filho quando esta tinha 21 anos. 

Nesse inquérito, Kathleen descrevia o nascimento do primeiro filho como algo que a completou: Tinha um marido, um lar e um filho. Mas com apenas 19 dias, este primeiro bebé acabou por morrer. A causa da morte foi identificada como síndrome da morte súbita infantil. 

A mulher voltou a engravidar tendo o segundo filho em 1990. De acordo com a avaliação médica, era um menino normal e saudável, mas aos oito meses seguiu o mesmo destino que o primogénito do casal. Sofreu um evento "inexplicável" que o deixou com danos cerebrais e convulsões aos quatro meses e aos oito a morte viria a ocorrer.

O terceiro filho, uma menina, morreu também ainda bebé, aos 10 meses. Também esta morte não teve uma causa identificada. Em março de 1999, Kathleen perde a quarta filha lançando suspeitas.

A polícia começou a investigar e o seu casamento acabou. Ao sair de casa, o marido de Folbigg encontrou um diária da então mulher. Foi esse diário que levou Kathleen à cadeia condenada pela morte dos quatro filhos. 

"Sinto-me a pior mãe deste mundo, com medo de que [Laura, a quarta filha] me deixe agora, como Sarah [terceira filha] fez. Sei que às vezes sou mal-humorada e cruel com ela e ela foi embora", escreveu Folbigg em

"Não pode acontecer de novo. Estou com vergonha de mim mesma. Não posso contar (ao meu marido) porque ele vai ficar preocupado em deixá-la comigo", escrevia na altura a mulher. Estas frases levaram a que a justiça acreditasse que era culpada.

Mesmo sem confissão, ou provas de homicídio, Folbigg foi condenada a 30 anos de prisão com um período sem liberdade condicional de 25 anos. Quando for elegível para liberdade condicional, terá 60 anos.

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