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Mulher que atraiu 'noiva do Daesh' para a Síria implora para voltar ao Reino Unido com os dois filhos

Tooba diz-se arrependida de ter ido para a Síria e pede desculpa pelos seus atos.
Correio da Manhã 29 de Setembro de 2019 às 19:49
'Noiva do Daesh'
Daesh
'Noiva do Daesh'
Daesh
'Noiva do Daesh'
Daesh

A mulher que atraiu Shamima Begum - também conhecida pela 'noiva do Daesh' - e é acusada de recrutar outras adolescentes britânicas para o Daesh escreveu uma carta aberta sem precedentes onde pede desculpa pelos seus atos e implora para que os tribunais do Reino Unido a julguem. O objetivo é voltar a casa, em Londres, com os dois filhos. 

Tooba Gondal, de 25 anos, viu os três homens com quem era casada morrerem na luta pelo grupo terrorista e passou o último ano num campo de detenção no norte da Síría com centenas de outras mulheres e crianças.

Na carta aberta, Tooba pede ao Governo do Reino Unido que a aceite, a ela e aos dois filhos pequenos, de volta. 

"Eu quero enfrentar a justiça no tribunal britânico", escreve Tooba. "Quero redimir-me. Gostava que o Reino Unido aceitasse o meu pedido de desculpa e me desse outra oportunidade", acrescenta. 

Apesar das provas que sugerem que Tooba colaborou em ataques terroristas online e instou as "irmãs" a juntarem-se ao Daesh, Gondal descreve o grupo como "criminoso" e afirmou: "Eu não sou terrorista".

"Eu nunca vos magooei, nem pretendo", acrescentou o jovem de 25 anos na carta publicada no The Sunday Times.

"Eu era um alvo vulnerável para os recrutadores do Daesh. Fui manipulada e convencida de que, como muçulmana, era uma obrigação viajar para a Síria", diz ainda.

"Nunca me tornei membro do Daesh. Fui forçada a casar e não sei dizer quantas vezes tentei escapar. Queria sair desde o início, mas isso era impossível", escreve Tooba negando que tenha estado envolvida com o grupo terrorista de forma voluntária. 

"Esses criminosos ameaçaram matar os meus bebés" acusa ainda a mulher de 25 anos.

Tooba afirma ainda que o filho de três anos e a 
filha de 18 meses foram feridas durante a guerra e às vezes passam fome.

"Embora eu deva ser responsabilizada por ter ido para a Síria, os meus filhos são completamente inocentes", escreveu acresncentando que as crianças "não fizeram nada de errado".

Tooba estudou em Goldsmiths University, em Londres, e segundo revela nasceu em França e tem passaporte francês, mas recebeu "residência permanente britânica" após morar em Londres desde os três anos de idade.

Em novembro foi proibida de voltar ao Reino Unido por uma ordem de exclusão do Ministério do Interior, mas o filho tem direito à cidadania britânica porque o pai - que se fez explodir num atentado suicida no Iraque - era britânico.

"Quero provar que sou uma pessoa mudada", garante. Gondal até se ofereceu para ajudar a impedir a radicalização dos muçulmanos no Reino Unido como parte da sua reabilitação.

No entanto, este domingo, o secretário do Interior, Priti Patel, insistiu que quem se juntou ao Daesh, tal como Shamima Begum, nunca poderá voltar ao Reino Unido.



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