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Correio da Manhã

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Mulher tem abelha de estimação treinada

Amizade improvável entre uma bibliotecária e um inseto.
Pedro Zagacho Gonçalves 19 de Março de 2018 às 14:44
Fiona tem uma abelha de estimação há mais de um ano
Abelha
Fiona tem uma abelha de estimação há mais de um ano
Fiona tem uma abelha de estimação há mais de um ano
Abelha
Fiona tem uma abelha de estimação há mais de um ano
Fiona tem uma abelha de estimação há mais de um ano
Abelha
Fiona tem uma abelha de estimação há mais de um ano

Fiona Presly é uma bibliotecária escocesa, de Inverness, que tem dado que falar ao garantir que tem a primeira abelha de estimação treinada.

Segundo revela ao jornal Scotsman, Fiona estava a limpar o quintal quando encontrou a abelha, há um ano. "Ela teve muita sorte, porque facilmente a podia ter pisado. Devia ter estado a hibernar e ainda estava a acordar. Estava frágil e eu estendi-lhe a mãe. Ela veio devagarinho e subiu para a minha mão. Só aí é que reparei: ela não tinha asas", recorda a escocesa.

Fiona, que até aí não tinha uma relação propriamente promissora com insetos, estudou a sua nova amiga. Descobriu que era uma rainha que possivelmente foi rejeitada pela colmeia por ter nascido sem asas e que, sem ajuda, estaria condenada.

A mulher começou a criar mini-jardins em caixas, um novo todos os dias, com flores frescas, para que a abelha ‘Bee’ (como Fiona lhe chamou) pudesse passar os seus dias. Depressa, Fiona começou a perceber que o inseto respondia à interação da mulher.

"Cada vez que ia ter com ela, ela começava a fazer uns barulhos, uns cliques e um zumbido específico. Foi perdendo o medo e, a pouco e pouco, começou a pedir mais o meu contacto. Vinha pousar em cima de mim, comia nas minhas mãos, deixava-se dormir em cima de mim", explica Fiona.

"As pessoas criam ligações com cães, gatos, até hamsters. Eu descobri que se pode criar uma relação com um inseto", garante Fiona que, um ano depois, mantém-se inseparável de ‘Bee’. O caso já está a ser investigado por cientistas.

Lars Chittka, professor de ecologia sensorial e comportamental na Queen Mary University of London, que estuda a psicologia dentro das colmeias já está em contacto com Fiona e pediu à mulher que escrevesse u diário a contar todas as aventuras com a abelha de estimação.

"Nenhum cientista até hoje estudou se as abelhas, formam relações emocionais, entre elas ou com outras espécies. Eu achei insólito e tinha que fazer as minhas observações, porque é um daqueles casos que deixa qualquer cientista a coçar a cabeça e a pensar ‘Mas o que se passa aqui?’. O desejo natural de uma abelha rainha daquela espécie era estar rodeada de outras abelhas e pode ser essa falta que motivou a relação com um humano. Parece-me plausível que este indivíduo sozinho, abandonado, tenha encontrado algo a ganhar em criar laços com outra espécie viva", continua Chittka.

"A questão que se coloca é simples: a outra comunidade ou ambiente para esta abelha rainha teria que ser necessariamente outras abelhas? Ou pode ser uma espécie completamente diferente, mas que providencia os mesmos sentimentos de calor, recompensa, segurança?", finaliza o cientista.

Fiona tem uma explicação mais simples e garante que não precisa que a ciência lhe explique que ‘Bee’ é especial. "Não é que agora veja as abelhas de forma diferente. Na realidade vejo todos os insetos numa nova luz. Todos estão cá por uma razão. A da ‘Bee’ é fazer-me companhia e eu a ela", termina a escocesa.

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