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Correio da Manhã

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Mulheres da Camorra usavam igreja para tráfico

Uma igreja do centro histórico de Nápoles era utilizada por três mulheres para esconder droga da Camorra, a máfia napolitana. Detidas terça-feira naquela cidade italiana, a par de cerca de 190 outros suspeitos (entre eles mais de vinte outras mulheres e os seus filhos menores), viram o estratagema denunciado por Luigi Giuliano, antigo chefe do clã com o seu nome.
23 de Março de 2007 às 00:00
Capturado em 2000, aceitou colaborar com as autoridades e foi ele a dar as pistas que permitiram, ainda, a captura da sucessora na chefia da organização: a sua filha, de 27 anos, Marianna Giuliano.
Luigi fez as revelações sobre a utilização menos ortodoxa da igreja da Via Tribunali quando interrogado pelas autoridades. “O padre responsável quando descobriu a utilização da igreja para aquele fim ficou irritado, mas ignorava quem tinha escondido a droga”, explicou o mafioso, garantindo ter chamado a atenção das mulheres para não repetirem o estratagema.
Mas a nota mais dramática na ‘Operação Praça Limpa’, como foi designado o cerco policial de terça--feira envolvendo mais de mil agentes, foi o facto de Luigi trair a própria filha. Marianna – cujo casamento, em 1996, aos 16 anos, serviu para unir o clã Giuliano ao clã rival, o Mazzarello – foi iniciada ainda criança nas actividades da família. Trabalhou num bar do pai frequentado por celebridades como Diego Maradona, onde, à margem dos negócios legais, decorriam outros sobretudo ligados ao tráfico de droga. A sua ascensão à chefia do clã aconteceu depois de o pai e o marido, Michele, serem detidos.
A posição de relevo da herdeira mereceu muitos comentários sobre a cada vez maior relevância das mulheres na Camorra, mas, na verdade, o fenómeno não é recente. Ao contrário da máfia siciliana, a de Nápoles é menos hierarquizada, sendo as chefias mais repartidas por todos os elementos do clã. Marianna caiu mas ficam no poder os herdeiros, sem crise de sucessão.
À MARGEM
OPERAÇÃO
A megaoperação de Nápoles envolveu cerca de mil agentes de três forças policiais: os Carabinieri (equivalente à GNR), a Polizia (equivalente aproximado da PSP) e a Guardia di Finanza (ou Polícia Fiscal). Entre os quase 200 detidos contam-se famílias inteiras, incluindo crianças.
INVESTIGAÇÃO
As investigações policiais que permitiram as capturas no âmbito da ‘Operação Praça Limpa’ prolongavam-se há cerca de três anos. Um dos informadores cruciais das autoridades foi o antigo líder da Camorra Luigi Giuliano, capturado em 2000 e colaborador desde 2002.
A HERDEIRA
Entre as quase 30 mulheres detidas conta-se a líder do clã Giuliano, um dos mais poderosos de Nápoles. Marianna Giuliano é filha do informador que deu as pistas para a sua captura. Assumiu a chefia depois de o pai e do marido, líder de um clã associado, serem presos.
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