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Correio da Manhã

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MULHERES MATAM MARIDOS

Os casos estão a multiplicar-se assustadoramente. Mulheres iranianas sujeitas a maus tratos durante anos de casamento só vêem uma saída: mandar matar os maridos.
10 de Julho de 2002 às 23:06
Desde Fevereiro, pelo menos 20 mulheres foram acusadas de matar os maridos. Inicialmente, as autoridades não deram muita importância a estes crimes mas, perante o aumento que se tem registado, começam a manifestar alguma preocupação, admitindo que é um sinal de crise social.

O caso de Ferdows é paradigmático. Casou quando apenas tinha 13 anos de idade com um homem 18 anos mais velho. Durante 30 anos de casamento, ela foi a mulher que a sociedade iraniana conservadora louva: obediente e resignada, suportando em silêncio os maus tratos e a humilhação que o marido lhe inflingia. Um dia decidiu pôr termo a esta tortura. Pagou o equivalente a 3.800 euros a um homem para matar o marido.

O crime consumou-se e Ferdows começou uma nova vida, afirmando a quem perguntava que o marido a abandonara. Até que o corpo da vítima foi encontrado num prédio abandonado. Ferdows foi condenada à morte. Todas as que optaram por esta via tiveram a mesma sorte. Algumas já foram executadas, outras estão no corredor de morte.

Porque é que estas mulheres optam pelo assassínio e não pelo divórcio, perguntar-se-á. Simplesmente porque para a mulher é um processo moroso e por vezes inglório. Efectivamente, enquanto para o homem basta querer para se divorciar, a mulher tem de enfrentar uma longa batalha judicial, que pode chegar a 20 anos.

E muitas vezes saem derrotadas... Fartas de viver numa sociedade machista que ignora os seus direitos, muitas iranianas estão a optar pela via do crime para se livrarem dos maridos.

Apesar de tudo, a morte é preferível a suportar humilhações e maus tratos em silêncio durante quase toda uma vida.
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