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Correio da Manhã

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Musharraf cede e promete eleições

O presidente do Paquistão acabou por se vergar às intensas pressões dos EUA e anunciou eleições legislativas antes de 15 de Fevereiro. Quanto ao cargo de chefe de Estado-Maior do Exército, Pervez Musharraf condicionou a renúncia à decisão do Supremo Tribunal sobre a sua recandidatura.
9 de Novembro de 2007 às 00:00
Nos últimos dias registaram-se confrontos entre a polícia e manifestantes em Islamabad
Nos últimos dias registaram-se confrontos entre a polícia e manifestantes em Islamabad FOTO: Ali Imam/Reuters
“Estamos a estudar uma data em que todas as assembleias possam ser dissolvidas simultaneamente para que se realizem eleições quer para a Assembleia Nacional quer para as quatro assembleias provinciais”, justificou o presidente paquistanês numa conferência de imprensa após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional.
E, referindo-se à sua promessa de renunciar à chefia do Estado-Maior do Exército, Musharraf frisou que só a vai cumprir depois de o Supremo Tribunal anunciar a decisão sobre a sua elegibilidade de se recandidatar. “Só tirarei e uniforme e tomarei posse após saber a decisão”, esclareceu.
O anúncio de Musharraf foi feito horas depois de o presidente dos EUA lhe ter telefonado pela primeira vez desde que decretou o estado de emergência, no passado sábado. “A minha mensagem foi a de que deveria convocar eleições rapidamente e despir o uniforme. Não se pode ser presidente e chefe do Estado-Maior do Exército ao mesmo tempo”, informou George W. Bush aos jornalistas.
Desde que foram decretadas as medidas de excepção, milhares de opositores de Musharraf foram detidos, incluindo juízes e advogados. Na quarta-feira, foi a vez dos apoiantes de Benazir Bhutto. A ex-primeira-ministra ameaçou com uma marcha de Lahore a Islamabad no dia 13 se até lá não for levantado o estado de emergência.
CUSTAS
ELEIÇÕES
As legislativas estavam inicialmente previstas para meados de Janeiro. Após o estado de emergência, foi suspensa a Constituição e havia o risco de não se realizar o escrutínio rapidamente. Valeram as pressões dos EUA.
EMERGÊNCIA
O presidente paquistanês declarou o estado de emergência depois de o juiz que preside ao Supremo Tribunal, Iftikhar Chaudhry, se ter recusado a aprovar a medida. Musharraf alegou que a Justiça estava a travar o combate ao terror.
ATAQUES
O procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, admitiu que há menos atentados após ter sido declarado o estado de emergência, mas considerou que isso demonstra que o governo tem patrocinado os ataques.
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