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“Não dei ordem para massacre”

O ex-comandante das forças militares sérvio-bósnias Ratko Mladic, acusado pelo Tribunal de Haia de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade, assegurou ontem a Darko que não deu a ordem para o massacre de Srebrenica, em 1995.

30 de Maio de 2011 às 00:30
Centenas de nacionalistas protestaram em Belgrado contra a entrega de Mladic ao Tribunal de Haia
Centenas de nacionalistas protestaram em Belgrado contra a entrega de Mladic ao Tribunal de Haia FOTO: Dado Ruvic/Reuters

"Não tenho nada a ver com Srebrenica", assegurou Mladic ao filho Darko, que o visitou ontem nos calabouços do Tribunal Especial de Crimes de Guerra de Belgrado, onde aguarda extradição para Haia. "As ordens que ele deu foram para evacuar os feridos, as mulheres e as crianças, e depois os combatentes. O que quer que tenha sido feito nas suas costas, ele nada tem a ver com isso", afirmou o filho do antigo chefe do exército sérvio-bósnio. O massacre de Srebrenica, na Bósnia, onde foram mortos oito mil homens e adolescentes, foi, recorde-se, a maior atrocidade na Europa desde o fim da II Guerra Mundial.

Entretanto, milhares de nacionalistas manifestaram-se ontem em Belgrado contra a detenção de Mladic, que consideram um herói. A polícia reforçou a segurança na capital, temendo a repetição dos distúrbios ocorridos após a detenção de Radovan Karadzic, em 2008, mas não houve incidentes. Decorreram ainda vários protestos na República Sérvia da Bósnia, principalmente em Kalinovik, terra natal de Mladic.

ESCONDIDO NUM MOSTEIRO

Mladic esteve escondido em vários locais ao longo dos 16 anos em que esteve em fuga, incluindo num mosteiro no Norte da Sérvia, onde permaneceu durante várias semanas em 2006. O diário ‘Blic’ noticiou que, após sofrer um enfarte, Mladic recuperou num mosteiro em Zrenjanin, perto de Lazarevo, onde foi capturado na semana passada e para onde terá sido levado em Outubro de 2006. Estava em tão más condições de saúde que chegou a ser preparada uma campa para o sepultar em segredo. Quatro semanas depois, já recuperado, deixou o mosteiro. O presidente sérvio, Boris Tadic, admitiu que o ex-general foi, inicialmente, "protegido por membros do governo, pelas forças militares e por agentes dos serviços de informações".

SREBRENICA MLADIC SÉRVIA
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