Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Não há razões para medo

A ex-candidata de origem portuguesa às presidenciais da Venezuela serenou ontem os imigrantes portugueses, afirmando que as reformas do presidente Hugo Chávez não vão prejudicar a comunidade lusa.
16 de Fevereiro de 2007 às 00:00
A venezuelana de origem portuguesa apoia o presidente Chávez
A venezuelana de origem portuguesa apoia o presidente Chávez FOTO: Manuel de Almeida, Lusa
“Não há razões para ter medo. Todas as reformas em curso visam melhorar o desenvolvimento da Venezuela”, afirmou Venezuela Portuguesa da Silva em entrevista à Agência Lusa, frisando que Chávez “é um bom presidente”, que deseja combater a pobreza de “80% da população”.
Os comentários da advogada de 53 anos, filha de pai português e de mãe venezuelana, seguiram-se aos receios veiculados por dezenas de empresários portugueses, após a aprovação de novas medidas de “aprofundamento da via socialista” da Venezuela. As novas reformas, aprovadas após a reeleição nas presidenciais de Dezembro de 2006, incluem a fixação de preços de produtos de primeira necessidade e prevêem, nomeadamente, o encerramento temporário dos estabelecimentos que não cumpram as normas.
Portuguesa da Silva manifestou disponibilidade para integrar o novo governo venezuelano, caso seja convidada pelo presidente. “Chávez pensa sobretudo nos mais necessitados e essa é a minha área”, frisou, aludindo ao seu trabalho diário na área de apoio aos mais necessitados. “Tento encontrar soluções para os problemas dos venezuelanos e ensinar-lhes que a resposta para os seus problemas está neles mesmos”, sublinhou, garantindo que para fazer o seu trabalho não precisa de “ser ministra ou de ter um cargo político”.
NACIONALIZAR SUPERMERCADOS
O presidente Hugo Chávez pondera nacionalizar todos os supermercados que não respeitem os preços máximos da carne e de outros produtos alimentares. Os comerciantes alegam que a inflação os impede de respeitar a tabela oficial e muitos lojistas suspenderam, para já, a venda de carne, leite e açúcar.
O governo reagiu apreendendo bens que afirma estarem a ser armazenados para fazer disparar os preços. “Se insistirem em violar os interesses do povo, a Constituição e as leis, vou apossar-me dos armazéns e das lojas, vou ficar com os supermercados e nacionalizá-los”, avisou Chávez.
Além desta querela, alguns proprietários estão preocupados com outra medida em estudo, que os obrigará a conceder um intervalo na jornada de trabalho para que os funcionários possam estudar a doutrina socialista.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)