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Correio da Manhã

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NÃO ME TELEFONEM, EU TELEFONO

O primeiro presidente sul-africano do pós-‘apartheid’, Nelson Mandela, anunciou formalmente, esta terça-feira, a sua retirada da vida pública activa. Apesar de reformado da política desde 1999 tem sido constantemente solicitado para apoiar diversas causas com a sua presença e entusiasmo. Aos 85 anos de idade, quer agora gozar o tempo que lhe resta na companhia da família e, como tal, avisa: “Não me telefonem, eu telefono”.
1 de Junho de 2004 às 16:10
Apesar de afastado da política activa desde 1999, Nelson Mandela tem mantido uma intensa actividade pública, angariando milhões de dólares para a Fundação Mandela, destinados a construir clínicas e escolas em zonas rurais na África do Sul e a combater a SIDA, e usando o seu prestígio na mediação do conflito armado no Burundi.
“Quando disse a um dos meus assessores, há uns meses, que queria reformar-me, ele respondeu que eu já estava reformado. Se esse é o caso, então devo dizer que anuncio que me reformo da reforma”, declarou Mandela, hoje, em conferência de Imprensa. “Não pretendo esconder-me do público, mas a partir de agora quero ficar na posição de ser eu a telefonar para perguntar se sou preciso, em vez de ser contactado para fazer coisas e participar em eventos”, acrescentou o ex-presidente sul-africano e Nobel da Paz.
Mandela, com 27 anos passados em cativeiro como prisioneiro político e uma intensa actividade desenvolvida no pós-‘apartheid’, considera que está de boa saúde, apesar de os seus 85 anos de idade (86 no próximo mês). “Confio em como ninguém me vai acusar de egoísmo se eu pedir tempo, enquanto estou de boa saúde, para passar com a família, os amigos e comigo próprio”, solicitou Mandela, concluindo que, a partir de agora, será ele próprio a perguntar se a sua presença é necessária, em vez de esta ser requisitada.
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