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Correio da Manhã

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“Não perdi o olho por um milagre”

O primeiro-ministro italiano, agredido no rosto com uma estatueta da catedral de Milão após um comício naquela cidade, no domingo, afirmou ontem que foi um milagre não ter sofrido danos irreversíveis na vista.
15 de Dezembro de 2009 às 00:30
Tartaglia atingiu Berlusconi com uma miniatura da catedral
Tartaglia atingiu Berlusconi com uma miniatura da catedral FOTO: Matteo Bazzi/Epa

"Mais um centímetro e teria perdido o olho", disse Silvio Berlusconi a Emilio Fede, director de Informação do canal TG4, que o visitou no Hospital San Raffaelle. ‘Il Cavaliere’ não teve alta ontem, como estava previsto, porque as lesões sofridas são mais graves do que se pensava inicialmente.

Segundo Emilio Fede, que o visitou, "Berlusconi está preocupado com o aumento de violência em Itália". Outras pessoas que o visitaram adiantaram que está entristecido com a campanha de ódio contra si. Um estado de espírito que o seu médico confirmou: "Está abatido, descoroçoado, desgostoso, como se tivesse acordado de um pesadelo", afirmou Zangrillo.

O agressor, Massimo Tartaglia, que sofre de problemas mentais, foi já ouvido por um juiz.

APONTAMENTOS

BOLSA DO AGRESSOR

Na bolsa de Tartaglia a polícia encontrou um isqueiro, um crucifixo, um objecto decorativo de quartzo muito pesado, um pedaço pontiagudo de plexiglas e um spray de gás-pimenta.

QUIS VER JORNAIS

A primeira coisa que Silvio Berlusconi pediu depois de acordar foram os jornais. Num cartazcolocado por apoiantes no portão do hospital lê-se: "Presidente Berlusconi, rápidas melhoras."

TODOS CONDENAM

O ataque foi condenado pelo presidente Giorgio Napolitano, pelo parceiro de coligação Gianfranco Fini, por Umberto Bossi, da Liga do Norte, e pelos opositores de Berlusconi.

POPULARIDADE

Analistas políticos italianos são unânimes em afirmar que este ataque vai funcionar como um "factor de simpatia" e aumentara sua popularidade, um pouco desgastada com os escândalos.

AGRESSOR 'SANTO' NA INTERNET

O agressor Massimo Tartaglia, de 42 anos, está a receber inúmeras mensagens de apoio na internet. Horas após o ataque, 41 mil fãs já lhe tinham manifestado apoio no Facebook. "Façam-no santo imediatamente", "Nomeiem-no presidente da República" ou "Todos somos Massimo Tartaglia" são algumas das mensagens ali colocadas.

Tartaglia, que foi acusado de ofensas graves e premeditadas e de atentado terrorista, recebe tratamento psiquiátrico há dez anos,e justificou o ataque com motivos ideológicos. O agressor vive como pai, gosta de electrónica e tem jeito para invenções, mas a doença, que começou a manifestar-se após abandonar os estudos, afectou o seu trabalho. Os vizinhos dizem que tem frequentes acessos de fúria.

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