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Correio da Manhã

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Natascha está a ser manipulada

A minha filha está a ser manipulada.” Esta é a convicção inabalável do pai de Natascha Kampusch, a jovem austríaca que, depois de ser raptada aos 10 anos de idade, foi mantida oito anos encerrada numa cave pelo sequestrador. Mas Natascha, em todas as entrevistas que já concedeu desde a sua primeira aparição pública na TV, no passado dia 6, reitera a sua determinação e independência. Ontem, numa entrevista à revista austríaca ‘News’, afirmou: “Em princípio já estou bastante forte para enfrentar o mundo. Sou robusta e a cada dia me sinto melhor”.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
Do outro lado da equação, o pai, Ludwig Koch, afirmou à TV espanhola Telecinco não acreditar que todas as decisões sejam tomadas pela filha. Depois de lembrar os anos de sofrimento que passou até saber que a filha estava viva, recordou o reencontro. “Veio ao meu encontro e abraçou-me”, afirmou, dizendo-se inconformado por nunca mais a ter visto ou escutado.
À ‘News’ Natascha não falou dos pais, mas comentou, com a lucidez revelada nas suas intervenções, os prós e contras da fama. “Por um lado estou satisfeita com a atenção. Mas por outro, tudo isto limita a possibilidade de fazer uma vida normal.”
Será verdade que Natascha está nas mãos de pessoas que a manipulam? É certo que tem uma equipa de conselheiros – composta por advogados, consultores de Imprensa e psiquiatras – mas também é verdade que, como ela mesma fez saber numa carta enviada ao pai, é seu o desejo de manter-se longe dele e da mãe, Brigitta Kampusch.
Apesar do drama de sobrevivência que a tornou famosa e vai ser adaptado a filme (ver pág. 42), Natascha tem 18 anos, pelo que não cabe aos pais assumir a responsabilidade da sua vida. Além disso foi ela mesma a planear, durante o cativeiro, a forma como ia aparecer em público e dar entrevistas. Foi ela, por exemplo, quem decidiu cobrir-se com um cobertor quando pela primeira vez TV e jornais tentaram captar a sua imagem após a fuga de 23 de Agosto. Não queria, explicou, que fossem tiradas fotos para vender depois a preços exorbitantes.
A menos que esteja louca, agora que está livre (o raptor, Wolfgang Priklopil, recorde-se, suicidou-se quando soube da sua fuga) só ela pode decidir se está a ser usada e por quem.
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