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Correio da Manhã

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Natascha parecia feliz

Wolfgang Priklopil, o homem que durante oito anos manteve cativa a jovem austríaca Natascha Kampusch, apresentou-a em Julho a um colega de trabalho. A testemunha não desconfiou de nada porque a jovem parecia “contente e feliz”.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
Ernst Holzapfel, colega e amigo de Priklopil há mais de 20 anos, revelou ontem ter conhecido Natascha quando ela e o raptor foram a sua casa pedir-lhe um atrelado emprestado. “Abri a porta e ele apresentou-me a jovem afirmando apenas que era uma conhecida, mas sem mencionar o seu nome. É claro que eu não fazia a mínima ideia de quem era”, afirmou Holzapfel, que alega não ter notado nada de estranho. “Apertei-lhe a mão e ela, educadamente, disse ‘Olá’. Parecia contente e feliz”, acrescentou.
Quando o caso chegou às primeiras páginas dos jornais, na semana passada, Holzapfel nem queria acreditar. “Sempre pensei que quando trabalhamos tantos anos com uma pessoa devemos conhecê-la. Eu nunca dei por nada, nunca pensei que ele estivesse envolvido numa coisa tão horrível”, afirmou, adiantando que foi várias vezes a casa do amigo, e chegou a estar na garagem onde se encontrava o alçapão que dava acesso à ‘masmorra’ de Natascha, mas nunca deparou com “nada de estranho”.
Holzapfel confirmou ainda ter estado com Priklopil na passada quarta-feira, depois de Natascha ter fugido. “Ele telefonou-me muito agitado a pedir para ir ter com ele, porque precisava de ajuda.” Quando o encontrou, Priklopil inventou que tinha fugido à Polícia porque estava bêbedo, e o amigo aconselhou-o a entregar-se. Pouco depois de Holzapfel se ir embora, Priklopil atirou-se para debaixo de um comboio.
Entretanto, o advogado de Natascha afirmou que a jovem está a recuperar bem e já pensa em ir estudar. Natascha, que um jornal alemão noticiou estar grávida do seu captor, foi descrita pelo advogado como “delicada, simpática e muito inteligente”, adiantando que passa o tempo a “escrever, pintar, ler e conversar”. A Polícia admitiu, entretanto, que Priklopil construiu a ‘masmorra’ cinco anos antes do sequestro de Natascha, o que poderá indicar que ela pode não ter sido a sua primeira vítima.
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