Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
8

Neda, o símbolo da revolta iraniana (COM VÍDEO)

'Eu sou Neda.’ De um dia para o outro, a frase tomou conta das ruas de Teerão – nos cartazes e t-shirts dos apoiantes da oposição, nos comícios, na net, na boca de todos aqueles que exigem mudança, as palavras tornaram-se um grito de dor e de revolta, uma denúncia e uma promessa de firmeza. Todas as revoluções precisam de um símbolo.

24 de Junho de 2009 às 00:30
O vídeo que mostra a morte de Neda correu Mundo através da internet. Em cima, a jovem com o namorado
O vídeo que mostra a morte de Neda correu Mundo através da internet. Em cima, a jovem com o namorado FOTO: Reuters

As primeiras notícias diziam que se tratava de uma adolescente, de 16 anos, abatida a tiro quando participava nos protestos contra a alegada fraude eleitoral. Na verdade, Neda tinha 27 anos e não estava na rua a manifestar-se, apesar de apoiar os protestos e de ser uma defensora da liberdade. No sábado, ela seguia de carro com o professor de Música quando o veículo ficou parado por causa das manifestações. Cansada de esperar e cheia de calor, a jovem saiu do carro para apanhar ar e foi morta a tiro por um atirador das milícias Basij, entrincheirado no alto de um prédio. "As testemunhas dizem que ela foi alvejada deliberadamente", afirma o namorado, Caspian Makan.

No vídeo, de 40 segundos, vê-se Neda a cair no chão e a olhar para a câmara enquanto algumas pessoas a tentam ajudar, incluindo o seu professor, que grita sem parar "Neda, não tenhas medo". Atingida no coração, a morte chega em poucos segundos. De acordo com o namorado, Neda era uma jovem alegre, que estudava Filosofia, queria trabalhar no turismo e era contra qualquer tipo de violência. "Eu disse-lhe para não sair à rua naquele dia", recorda.

Graças às redes sociais da net, as imagens do rosto ensanguentado de Neda correram Mundo. Nas centenas de páginas criadas em sua memória no Facebook chamam-lhe ‘Anjo da Liberdade’ e prometem que a sua morte não foi em vão: "O teu último suspiro foi o nosso primeiro sopro de esperança", afirma um dos muitos tributos ali deixados.

CONSELHO DOS GUARDIÕES RECUSA REPETIR ELEIÇÕES

O Conselho dos Guardiões – suprema autoridade eleitoral do Irão – rejeitou ontem a repetição das eleições presidenciais, afirmando não ter encontrado provas significativas de fraude apesar das irregularidades detectadas em mais de 50 cidades.

Apesar disso, o líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, prolongou por mais cinco dias o prazo para a apresentação de queixas, "para que não restem quaisquer ambiguidades". Entretanto, a Justiça iraniana assegurou que os "amotinados" detidos serão "exemplarmente punidos".

APONTAMENTOS

POSSE EM BREVE

A cerimónia de investidura do presidente Mahmoud Ahmadinejad para um novo mandato deverá ocorrer entre 26 de Junho e 19 de Agosto.

OBAMA CONDENA

O presidente dos EUA condenou ontem a brutal repressão contra os apoiantes da oposição.

DIPLOMATAS EXPULSOS

O Irão expulsou dois diplomatas britânicos, levando Londres a adoptar idêntica medida.

 

 

Ver comentários