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Correio da Manhã

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Negado recurso a pais de Archie após Supremo decidir que menino não será transferido para clínica de paliativos

Família tinha recorrido da decisão esta sexta-feira. Tribunal decidiu que máquinas deviam ser deligadas no hospital.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 5 de Agosto de 2022 às 19:13
Archie Battersbee
Archie Battersbee FOTO: Direitos Reservados
Os pais de Archie Battersbee, o menino inglês de 12 anos que está em coma desde abril, em morte cerebral, sofrem mais um duro golpe ao verem a sua última esperança de dar "uma morte digna" ao filho negada. A família tinha apresentado um recurso à decisão do Supremo Tribunal inglês, que negou esta sexta-feira, aos pais o direito de o menino ser transferido para uma unidade de cuidados paliativos para passar os seus últimos momentos. O recurso, apresentado ao Tribunal de Recurso, foi negado esta sexta-feira à tarde e, assim, os tratamentos que estão a ser feitos ao menino no Royal London Hospital, deverão cessar e as máquinas serão desligadas, em data ainda a apontar, pondo fim à dura luta da família.

Archie está em coma e em morte cerebral desde abril, quando foi encontrado inconsciente pela mãe em casa. Há suspeitas de que o menino estivesse a participar num ‘desafio suicida’ no TikTok quando se deu a tragédia.

Após uma derrota no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), os pais apelaram ao Supremo Tribunal para que a criança pudesse passar "os últimos momentos em família", numa clínica especializada em cuidados paliativos. O Supremo negou o pedido e os pais recorreram, voltando a perder o recurso.

O fundo Barts Health do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido, que gere o hospital onde Archie está internado, tinha já explicado esta quinta-feira que os médicos defendem que "há riscos consideráveis" com a transferência da criança. "Na condição instável que está, a transferência de ambulância para um ambiente completamente diferente pode acelerar a deterioração prematura que a família quer evitar, mesmo com equipamento e staff dedicado durante toda a viagem", explicam os responsáveis. O hospital acrescenta que o Tribunal decretou que Archie deve permanecer no hospital quando os tratamentos lhe forem retirados e as máquinas deligadas.

A mãe de Archie disse anteriormente que temia o pior: que o filho não tenha direito a oxigénio paliativo quando as máquinas de suporte de vida forem desligadas, como aconteceu em 2018, no caso de Alfie Evans. Nessa altura, a família do menor fez-lhe respiração boca a boca. A mãe de Archie assume estar disposta ao mesmo, numa altura em que um grupo religioso que representa a família já formalizou o pedido para que o oxigénio não seja retirado à criança.

"Se for negado oxigénio ao Archie quando as máquinas forem desligadas eu mesma vou continuar a dar-lhe oxigénio. Rezo para que os tribunais decidam o que está certo. Se recusarem dar-nos permissão para o levarmos para a clínica e não lhe derem oxigénio paliativo, isso é desumano", chorava esta quinta-feira Hollie Dance, que se diz destroçada. "Eu só peço que analisem bem os nosso pedidos, nós só precisamos de um pouco mais de tempo", disse a mãe de Archie em entrevista ao Mirror.

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