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Netanyahu: Irão tem como único objetivo a bomba atómica

Benjamin Netanyahu tinha já dito que o programa nuclear "ameaçava a sobrevivência de Israel".
3 de Abril de 2015 às 10:49
Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu
Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu FOTO: EPA

O acordo de princípio alcançado na quinta-feira sobre o programa nuclear iraniano é uma etapa "numa direção muito perigosa", disse esta sexta-feira o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusando Teerão de ter como único objetivo a bomba atómica.

"O acordo é um passo numa direção muito, muito perigosa", disse aos jornalistas o porta-voz do Governo israelita Mark Regev, acrescentando que o "único objetivo" do Irão é conseguir fabricar a bomba atómica.

"Não só deixa o Irão com uma infraestrutura nuclear dispendiosa como falha no encerramento de uma única instalação nuclear iraniana. Deixa o Irão com milhares de centrifugadoras para continuar a enriquecer urânio", acrescentou Regev.

Segundo Israel, o acordo permite ao Irão "investigar, desenvolver e construir novas e melhores centrifugadoras". O designado grupo "5+1" (que inclui os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Estados Unidos, China, França, Rússia, Reino Unido - e a Alemanha) e o Irão chegaram na quinta-feira a um acordo de princípio para resolver a questão do programa nuclear iraniano.

O acordo final com os aspetos técnicos e legais tem de ficar concluído até 30 de junho.

O pacto permitiria ao Irão manter um programa nuclear muito reduzido e debaixo de estrito controlo em troca de vários apoios económicos e políticos. Na sequência do acordo, o primeiro-ministro israelita convocou para hoje uma reunião com os responsáveis de segurança.

Numa reação ao acordo de princípio sobre o programa nuclear iraniano, Benjamin Netanyahu tinha já dito que este "ameaçava a sobrevivência de Israel". Um porta-voz do primeiro-ministro israelita adiantou que Benjamin Netanyahu transmitiu na noite de quinta-feira a sua posição ao presidente norte-americano, Barack Obama.

"Este acordo poderia legitimar o programa nuclear do Irão, reforçar a economia e aumentar a agressividade do Irão e o terror no Médio Oriente e mais além", disse Netanyahu na sua conversa com Obama.

Netanyahu desafiou em março a Casa Branca ao falar perante o congresso norte-americano, em Washington, condenando as conversações sobre o programa nuclear que então decorriam entre as grandes potências, incluindo os Estados Unidos, e o Irão.

Este episódio contribuiu para aquela que é já considerada pelos analistas a pior crise nas relações entre Israel e os Estados Unidos.

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