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Nino espancado depois de morto

O presidente Nino Vieira foi alvejado e depois de morto foi brutalmente golpeado com catanas por militares enraivecidos com o assassínio do general Tagmé Na Waie, assegurou ontem uma fonte militar em Bissau contactada pelo Correio da Manhã. Refira-se que a autópsia confirma que o corpo de Nino Vieira apresentava golpes violentos.

4 de Março de 2009 às 00:30
Uma delegação da CPLP, chefiada por João Gomes Cravinho, chegou ontem a Bissau. Na foto, Cravinho recebido pelo secretário de Estado guineense das Comunidades, Lansana Touré.
Uma delegação da CPLP, chefiada por João Gomes Cravinho, chegou ontem a Bissau. Na foto, Cravinho recebido pelo secretário de Estado guineense das Comunidades, Lansana Touré. FOTO: Marisa Serafim, Lusa

Ainda de acordo com a mesma fonte, militares com sede de vingar a morte do chefe de Estado-Maior General tomaram de assalto a casa do presidente com o apoio de um comando proveniente de Mansoa, que bombardeou a residência com tiros de morteiro RPG. A guarda presidencial contra-atacou, mas não conseguiu resistir. Os militares disparam contra Nino e, depois de o matarem, golpearam-no com catanas. Quando a ambulância chegou encontrou o corpo encostado a uma parede ao lado da porta que dava acesso ao exterior.

Apesar de, aparentemente, a serenidade ter regressado à capital, parece ter começado a caça às bruxas. O ex-chefe da Diplomacia guineense, Soares Sambú, disse que ex-ministros ligados a Nino Vieira estão a receber ameaças de prisão e de morte, tendo alertado o caso à ONU.

Entretanto chegou a Bissau a delegação da CPLP, chefiada pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, João Cravinho, e uma outra da CEDEAO, que garantiram apoio para as Presidenciais.

BOMBA LEVADA DE CONACRI POR MILITARES DE NINO

A bomba de origem tailandesa que vitimou o chefe militar Tagmé Na Waie terá sido levada da Guiné Conacri para Bissau por militares próximos do presidente Nino Vieira quando este efectuou uma visita-relâmpago àquele país, adiantou uma fonte castrense de Bissau ao nosso jornal. Recorde-se que Nino se deslocara a Conacri para pedir à Junta Militar a libertação de Ousame Conté, filho mais velho do ex-presidente Lansana Conté, detido por envolvimento no tráfico de droga.

"Tagmé sabia da existência do engenho explosivo, mas desconhecia quando e em que circunstânciasNino o iria usar", adiantou a fonte, acrescentando que Na Waie terá dado instruções aos seus militares para "matarem Nino Vieira logo que ele [Na Waie] fosse morto".

Ainda de acordo com a fonte, após ter sido confirmada a morte de Na Waie, Nino Vieira terá convocado o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, para nomear de imediato um substituto. Nino ter-se-á também reunido com militares para discutir a situação.

NOVO PRESIDENTE

O presidente da Assembleia de Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, prestou ontem juramento perante os deputados como chefe de Estado interino. Pereira é um homem muito próximo do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e pertence à nova geração de políticos guineenses. Após o juramento, o novo líder disse estar empenhado em conduzir o país às eleições.

MAIS DADOS

PORTUGUESES ESTÃO BEM

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse acreditar que a situação na Guiné-Bissau "está sob controlo", assegurando que a comunidade portuguesa aí residente "está bem". "A nossa preocupação era que a ordem constitucional fosse reposta e, felizmente, esse processo está em curso", sublinhou.

ISABEL VIEIRA

Isabel Vieira, a mulher do presidente Nino Vieira, continua refugiada na embaixada de Angola em Bissau. A casa do casal foi saqueada por militares e populares. Ontem, a família de Isabel Vieira deslocou-se à residência para recuperar alguns bens e fechar a moradia.

FUNERAL DE NA WAIE

O funeral do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) da Guiné-Bissau, Tagmé Na Waie, realiza-se amanhã em Bissau, disse o comandante Zamora Induta, porta-voz da comissão das chefias militares. A data do funeral do presidente da República, Nino Vieira, ainda não foi divulgada.

 

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