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Nino Vieira nomeia Aristides Gomes

Após um período de quatro dias de intensas negociações, o presidente guineense, ‘Nino’ Vieira, nomeou ontem Aristides Gomes como novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, através de um decreto presidencial, preenchendo deste modo o cargo deixado vago por Carlos Gomes Júnior, exonerado na passada sexta-feira.
3 de Novembro de 2005 às 00:00
o novo primeiro-ministro (à esq.) cumprimenta ‘Nino’
o novo primeiro-ministro (à esq.) cumprimenta ‘Nino’ FOTO: Sousa Dias/Lusa
Numa breve cerimónia na Presidência da República, em Bissau, em que não houve discursos, ‘Nino’ Vieira, empossou Aristides Gomes na presença do presidente do Parlamento, Francisco Benante, do procurador-geral da República, Octávio Alves, e de vários representantes da comunidade internacional.
Ausentes do acto estiveram o ex-primeiro-ministro e os membros do anterior executivo, bem como a presidente do Supremo Tribunal de Justiça e as chefias militares.
Aristides Gomes declarou à Imprensa que o seu governo de base alargada, inclui o PAIGC, estará formado amanhã, e a prioridade será o sector económico com abertura ao investimento privado.
Recorde-se que o anúncio do decreto presidencial foi feito momentos depois de ‘Nino’ Vieira ter recebido uma delegação do PAIGC, partido que deixou cair o nome de Carlos Gomes Júnior para a chefia do governo, tendo proposto Martinho Ndafa Cabi, ex-ministro da Defesa. Esse dirigente é vice-presidente do PAIGC e é tido como uma figura influente entre os políticos e os militares, facto comprovado pela forma como resolveu a crise militar que se seguiu à sublevação militar de 6 de Outubro de 2004 e em que foi morto o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, general Veríssimo Correia Seabra.
“INCONSTITUCIONAL”
Uma fonte do PAIGC adiantou ontem ao CM que a decisão de ‘Nino’ Vieira “não põe termo ao conflito existente entre o presidente guineense e a actual direcção do partido”. No encontro que manteve ontem com o PAIGC, segundo a mesma fonte, ‘Nino’ Vieira comunicou a Gomes Júnior a sua “indisponibilidade para coabitar” com o ex-primeiro-ministro por razões que não explicou.
Em declarações ao nosso jornal, Gomes Júnior manifestou-se “indignado” e considerou “grave” a nomeação de Aristides Gomes por ser “um dirigente do PAIGC que está suspenso e com um processo disciplinar”. O líder do PAIGC adiantou que vai avançar hoje com uma acção de impugnação ao decreto presidencial “por ser inconstitucional”.
Aristides Gomes é um dos dirigentes suspensos do PAIGC em Maio, depois de terem “violado os estatutos e as orientações do partido” ao apoiarem ‘Nino’ nas presidenciais. Aristides Gomes torna-se no 12.º primeiro-ministro desde que o país ascendeu à independência, em 1973.
PERFIL
Aristides Gomes, natural de Cacheu, licenciado em Sócio-Economia, completa 51 anos no próximo dia 8. Foi várias vezes ministro dos governos de ‘Nino’ Vieira que se seguiram às eleições gerais de 1994.
Líder da bancada parlamentar do PAIGC, Gomes foi eleito em 2002 como braço-direito de Carlos Gomes Júnior, mas a perspectiva do regresso a Bissau de ‘Nino’ Vieira levou-o a assumir em 2004 a ruptura com a direcção do partido.
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