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Correio da Manhã

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No altar de Roma em 2008

O Papa João Paulo II deverá ser ainda este ano declarado venerável pela Santa Sé, na sequência do encerramento do inquérito diocesano de beatificação, cuja sessão de clausura terá lugar no próximo dia 2 de Abril, exactamente dois anos depois da sua morte, em cerimónia solene na Igreja de S. João de Latrão, que é a catedral do bispo de Roma.
23 de Março de 2007 às 00:00
Hoje mesmo, o padre Slawomir Oder, postulador da Causa de Beatificação e Canonização de João Paulo II, encerra o chamado processo Super Miro, relativo a um alegado milagre post mortem do Papa polaco.
O caso em questão refere-se a uma freira francesa afectada pela doença de Parkinson, que no dia 2 de Junho de 2005, exactamente dois meses depois da morte de Karol Wojtyla, ficou curada “de um momento para o outro”.
Em finais desse ano o postulador deslocou-se a França, onde contactou directamente com a religiosa, a madre superiora da congregação e o médico que acompanhou o caso. No final da visita disse que, “tendo por base os critérios científicos, os médicos não conseguiram dar uma explicação para o que aconteceu”.
Este é o milagre que vai servir de base ao processo de beatificação de João Paulo II que, no início do mês que vem, depois de concluída a fase diocesana e a cerimónia de Latrão, dará entrada na Congregação para as Causas dos Santos, cujo decastéreo é liderado pelo cardeal português D. José Saraiva Martins.
Fonte ligada ao processo disse ao CM que “ainda é cedo para se falar em datas para a conclusão do processo”, mas admitiu que, “se as coisas correrem bem, João Paulo II pode chegar aos altares da diocese de Roma [a beatificação só permite a veneração diocesana] dentro de um a dois anos”.
E para as coisas correrem bem é necessário que a comissão médica que vai ser instituída para analisar o milagre não tenha dúvidas acerca da cura da religiosa francesa que sofria da doença de Parkinson e que os colégios de teólogos e de cardeais fiquem convencidos de que essa cura se deu, de facto, por intercessão de João Paulo II.
Para dar mais força ao processo, vai ser entregue à Congregação para as Causas dos Santos todo o material recolhido pelo Tribunal Eclesiástico criado para este caso pela diocese de Roma. Dele constam declarações das testemunhas propostas pelo postulador e de outras convocadas pelo próprio tribunal, assim como “muitos milhares” de testemunhos de milagres atribuídos a João Paulo II, que chegaram por correio, por e-mail (www.vicariatusurbis.org/beatificazione) ou através de escritos deixados no túmulo do Pontífice.
O processo de beatificação de João Paulo II teve início a 13 de Maio de 2005, dia da Senhora de Fátima, de que o Papa polaco era particular devoto, depois de Bento XVI ter dispensado o prezo canónico de cinco anos para a promoção da causa.
A investigação sobre o milagre é hoje encerrada e o processo diocesano fecha dia 2 de Abril.
"FOI UM GRANDE PROMOTOR DA SANTIDADE"
O cardeal português D. José Saraiva Martins é o homem-chave de todo este processo, já que é o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, por onde passam, obrigatoriamente, todos os processos de beatificação e canonização. Foi nomeado para o lugar precisamente por João Paulo II, em 2002, e agora mantido por Bento XVI.
Quando questionado pelo CM sobre a possibilidade de o Papa polaco poder ser beatificado em breve, D. José Saraiva Martins disse que “o processo tem de seguir os tramites normais, com excepção do tempo de espera para a promoção da causa, por determinação do Santo Padre. O tempo que vai levar, só Deus sabe”. No entanto, o cardeal não deixou de sublinhar que “João Paulo II foi um grande promotor da santidade”.
PAPA PROCLAMADOR
FAZEDOR DE SANTOS
Nos seus 26 anos de Pontificado, João Paulo II declarou mais santos e beatos do que os seus antecessores todos juntos (há regras desde 1662). E os números são esclarecedores: o Papa polaco proclamou 1338 beatos e 482 santos.
REGRAS RÍGIDAS
Por ter encontrado uma situação quase insolúvel de mais de cinco mil processos de beatificação e canonização pendentes, João Paulo II decretou em 1983 novas normas, rígidas, mas mais simples e exequíveis.
DOIS PORTUGUESES
Dos 1338 beatos proclamados, dois foram portugueses e ambos da diocese de Braga: D. Frei Bartolomeu dos Mártires e Alexandrina de Balasar. João Paulo II ainda marcou a beatificação da madre Rita de Viseu, mas faleceu dias antes.
MILAGRE
Tal como a religiosa francesa curada por João Paulo II, também a mulher curada por Alexandrina de Balasar sofria de Parkinson.
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