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Correio da Manhã

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Nomeado novo governo no Nepal

O rei do Nepal, Gyanandra Bir Bikram Shah, nomeou esta quarta-feira um novo governo formado por dez elementos, um dia depois de ter dissolvido o executivo chefiado pelo anterior primeiro-ministro Sher Bahadur Deuba, declarado o estado de emergência e assumido o controlo do país para os próximos três anos.
2 de Fevereiro de 2005 às 08:36
Ramesh Nath Pandey foi nomeado para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros
Ramesh Nath Pandey foi nomeado para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros FOTO: Reuters
Em comunicado dado a conhecer através da televisão e rádio estatais, Gyanandra anunciou ter nomeado Ramesh Nath Pandey para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantando que dirigirá ele mesmo o novo governo. Muitos dos políticos que conduziam até agora os destinos do país foram colocados em prisão domiciliária.
Ontem, aquando da dissolução do governo, o rei do Nepal justificou as medidas tomadas com o facto de o executivo conduzido por Deuba desde Junho de 2004 ser incapaz de preparar o terreno para a realização de eleições parlamentares antes de Abril e de restabelecer a paz no país, assistindo-se a uma escalada da guerra civil com os rebeldes maoístas.
As opções tomadas por Gyanandra, que suspendem nomeadamente as liberdades civis, incluindo a liberdade de Imprensa, foram já condenadas pelos Estados Unidos da América, Índia (país vizinho do Nepal), Inglaterra e Nações Unidas, que apelaram ao restabelecimento imediato das regras democráticas no país.
Entretanto, a situação era calma esta manhã na capital do Nepal, Katmandu, onde o Exército patrulha as ruas. Todas as linhas telefónicas foram cortadas e não há acesso aos telemóveis, sendo que o aeroporto internacional da cidade continua encerrado, depois de ontem vários voos terem sido obrigados a voltar para trás.
Os rebeldes maoístas têm vindo a intensificar os ataques contra as forças governamentais como forma de pressionar as autoridades a iniciar negociações, para tentar resolver o conflito que dura desde 1996 e que já causou mais de 11 mil mortes. Os rebeldes pretendem derrubar a monarquia constitucional e instalar um governo comunista no país.
A comunidade internacional teme que a revolta possa intensificar-se e ficar fora de controlo, proporcionando que o Nepal venha a tornar-se num porto de abrigo para grupos terroristas internacionais e/ou de tráfico de droga.
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