Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Noruega: Governo recebeu ameaças antes do ataque

O governo norueguês recebeu uma chamada telefónica com mensagens ameaçadoras alguns meses antes dos ataques perpetrados pelo extremista de direita Anders Behring Breivik em Julho do ano passado, avançou esta sexta-feira a rádio pública ‘NRK’.
6 de Janeiro de 2012 às 14:05
 governo norueguês recebeu uma chamada telefónica com mensagens ameaçadoras alguns meses antes dos ataques perpetrados pelo extremista de direita Anders Behring Breivik em Julho do ano passado
governo norueguês recebeu uma chamada telefónica com mensagens ameaçadoras alguns meses antes dos ataques perpetrados pelo extremista de direita Anders Behring Breivik em Julho do ano passado FOTO: Reuters

Segundo a estação norueguesa, o telefonema foi feito por um homem que, num tom muito pausado e calmo, forneceu informações sobre possíveis ataques contra membros da Juventude Trabalhista, o que viria acontecer no dia 22 de Julho de 2010 na ilha de Utoya, onde centenas de jovens participavam num acampamento da organização. O homem falou também sobre a existência de "um manifesto".         

Face à natureza "invulgar e perturbante" da mensagem telefónica, as autoridades norueguesas gravaram o telefonema e transcreveram as ameaças. Apesar destas diligências, a polícia nunca foi alertada, indicou o centro de serviços governamentais.         

"O telefonema não foi considerado como uma ameaça concreta, mas sim uma conversa confusa e incoerente", afirmou à agência France Press, a responsável da comunicação do centro de serviços, Margot Vaagdal, sem confirmar o conteúdo do telefonema.         

Alguns meses mais tarde, Breivik matou 77 pessoas em dois ataques. O extremista de direita foi o autor de um atentado à bomba contra a sede do governo norueguês e de um tiroteio na ilha de Utoya, perto de Oslo. No mesmo dia, Breivik divulgou na Internet um extenso manifesto anti-islamita contra o multiculturalismo.  

"Após os ataques de 22 de Julho, os serviços consideraram que uma parte do telefonema podia ser pertinente para o caso e informámos a polícia", afirmou Vaagdal. De acordo com a rádio NRK, o documento elaborado pelo centro de serviços governamentais revelava a natureza das ameaças, o nome do interlocutor, o número de telefone e a data do telefonema.

Os serviços governamentais desconhecem se o autor do telefonema foi Breivik e referiram ainda que o documento elaborado sobre o assunto estava arquivado num dos edifícios que ficou danificado no atentado à bomba executado pelo extremista.         

No passado dia 29 de Novembro, um relatório de dois especialistas psiquiátricos determinou que Breivik estava psicótico no momento dos factos e, portanto, inimputável. O extremista de direita desenvolveu ao longo do tempo uma "esquizofrenia paranóide", declarou o procurador Svein  Holden, citando as conclusões do relatório.         

Mais recentemente, a 22 de Dezembro, uma comissão especial designada pela justiça norueguesa confirmou o diagnóstico psiquiátrico. Behring Breivik reconheceu a autoria dos ataques, mas recusou declarar-se culpado. Actualmente em detenção provisória, Behring Breivik, de 32 anos, espera o início do julgamento marcado para 16 de Abril.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)