Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
5

Nova Iorque é 'cidade fantasma'

Nova Iorque acordou nesta terça-feira uma cidade fantasma, com as ruas desertas, inundações, ruas cortadas, árvores caídas, tudo vestígios da passagem do furacão Sandy.
30 de Outubro de 2012 às 14:16
Nas ruas, circulam carros de polícia, de bombeiros, da companhia de electricidade e alguns táxis.
Nas ruas, circulam carros de polícia, de bombeiros, da companhia de electricidade e alguns táxis. FOTO: Reuters

O comércio está praticamente todo de portas fechadas, à excepção de lojas de conveniência, principais pontos de concentração para encontrar café ou companhia, e de algumas mercearias de esquina de proprietários mais afoitos.

No bairro de Chelsea, na zona sudoeste de Manhattan, Ahmad Besheer mantinha cerca das 7h00 locais [11h00 em Lisboa] o seu "deli" aberto, depois de uma noite em claro, atendendo os poucos clientes á luz de velas.

"A minha vida inteira é este sítio, para onde é que queria que fosse?", questiona o proprietário do "deli".

"O Ahmad é um bom homem, ponha lá isso no seu jornal", diz bem-disposto Mike Gutierrez, enquanto se abastecia de pão de forma e sumos para ele e para os colegas que drenavam água das caves de um edifício vizinho.

Nas ruas, circulam carros de polícia, de bombeiros, da companhia de electricidade e alguns táxis.

Não há transportes públicos, a água nos túneis de metro atingiu meio metro de altura e a circulação poderá ser restabelecida apenas dentro de dias.

No centro de Manhattan, onde apesar da intempérie que ainda se faz sentir, é possível ver gente a passear os cães ou a fazer 'jogging', são várias as ruas cortadas por árvores caídas.

Próximo da estação de Grand Central, um depósito de água no topo de um edifício faz "chover" nas ruas.

Em Times Square o cenário é de desolação, mas mesmo assim alguns turistas aventuram-se por ali e por outros locais emblemáticos da cidade, como o Empire State Building.

Com os aeroportos fechados, muitos destes turistas não sabem quando poderão regressar a casa, como João Pedro Pires, jovem de Lisboa cujo voo na TAP foi hoje cancelado.


"Acha que até sexta-feira eles abrem os aeroportos?", pergunta esta manhã, quando questionado sobre a sua experiência do Sandy.

Este DJ, que actuou sábado numa festa em Filadélfia, passou a noite sem sobressaltos, na companhia da namorada, também de Lisboa, numa zona das menos afectadas.

Mas mais a sul e junto ao rio East, as Nações Unidas estão inundadas e só é autorizada a entrada de pessoal de emergência.

"Não é seguro, não podemos deixar ninguém entrar", informa a segurança à entrada.

Na cúpula do edifício da Assembleia Geral, um enorme oleado está solto e agita-se ao vento, criando um enorme ruído que se mistura com o das sirenes, hoje ubíquo nas ruas de Nova Iorque.

nova iorque sandy furacão mau tempo chuva
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)