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Correio da Manhã

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NOVO MASSACRE EM JERUSALÉM

Um dia após o atentado mais mortífero desde a segunda Intifada, que causou a morte a 19 israelitas em Jerusalém, um bombista suicida fez deflagrar explosivos que trazia consigo numa paragem de autocarro de novo num bairro da Cidade Dividida, matando pelo menos sete pessoas e ferindo outras 37.
19 de Junho de 2002 às 22:05
O ataque surge horas depois de o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, ter anunciado que vai endurecer a sua estratégia militar face à Autoridade Palestiniana, reocupando territórios "até parar o terror".


O ataque, reivindicado pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, ocorreu em hora de ponta, ao fim da tarde de ontem, no bairro da Colina Francesa, a poucos metros do quartel-general nacional da Polícia. Imagens de televisão mostravam, pouco depois do atentado, pedaços de corpos espalhados na rua.


De acordo com as autoridades israelitas, o suicida, que morreu na explosão, fez deflagrar os explosivos quando polícias se aproximavam dele para o revistar.


Na terça-feira, um atentado, reivindicado pelo Hamas, matara 19 pessoas também na Cidade Santa. A Polícia ficou em estado de alerta, avisando que tinha indicações de estarem iminentes mais atentados em Jerusalém. Apesar disso, não pôde evitar o ataque de ontem nem o que ocorreu junto ao muro que está a ser construído para separar Israel da Cisjordânia, onde um grupo de palestinianos fez explodir uma bomba e disparou sobre polícias, sem fazer vítimas mortais.

Anunciada reocupação

Horas antes do ataque de ontem, Sharon tinha anunciado a reocupação de terras israelitas em resposta ao atentado mais mortífero da segunda Intifada.


"Israel vai responder aos actos de terror capturando territórios da Autoridade Palestiniana. Sempre que houver um ataque serão ocupadas mais áreas" - lê-se num comunicado emanado do gabinete de Sharon. A reacção palestiniana não tardou. Ahmed Abdel-Rahman, conselheiro de Arafat, comentou: "A decisão de Israel representa um "convite aberto" ao povo e também a todas as facções palestinianas para resistir à ocupação". De Washington surgiu a reacção esperada: "O presidente George W. Bush considera que Israel tem o direito de se defender" - afirmou aos jornalistas Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, adiantando que a proposta dos EUA para a paz no Médio Oriente será divulgada quando Bush considerar oportuno, não sendo esta a altura certa para o fazer.


A anunciada reocupação já começou, com tanques, apoiados por "caças" e helicópteros, a entrarem em Jenin, Qalqiliya, Nablus e Gaza, onde foram feitas inúmeras detenções. Em retaliação ao atentado de ontem, helicópteros israelitas lançaram pelo menos cinco mísseis contra alvos em Gaza.
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