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Correio da Manhã

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O desafio do combate à pobreza e corrupção

Outrora considerada a ‘Pérola do Índico’, Moçambique é hoje uma das nações mais pobres do Mundo, não obstante nos últimos anos, nomeadamente após o fim da guerra civil, ter conquistado a atenção da comunidade internacional que investe agora em força nos recursos turísticos, agrícolas e mineiros do país.
30 de Abril de 2005 às 00:00
Erradicar a fome e combater a sida são duas das grandes prioridades do país
Erradicar a fome e combater a sida são duas das grandes prioridades do país FOTO: d.r.
Com o final da guerra, o país optou pela eficaz protecção do poderoso espaço da Commonwealth, e Portugal, percebendo o ‘perigo’, aposta também no ‘regresso’ à antiga colónia. Mas o caminho a percorrer é longo. À precária rede de infra-estruturas e saneamento básico em todo o território, somam-se a endémica pobreza, a sida, a corrupção - um dos combates mencionados pelo recém-eleito presidente Armando Guebuza.
De acordo com um estudo levado a cabo por organizações não-governamentais moçambicanas, mais de cinquenta por cento dos inquiridos afirmaram que não tiveram comida suficiente nos últimos doze meses. Menos de metade do mesmo universo revelaram que têm dificuldades de acesso a água potável. Mais de metade das pessoas que se dirigem aos postos de saúde não tem dinheiro para comprar medicamentos. A relação entre VIH/sida e a pobreza é igualmente referida no estudo. De acordo com os dados existentes, o VIH/sida em Moçambique afecta diariamente mais de 700 pessoas.
Moçambique tornou-se independente a 25 de Junho de 1975, após um rápido processo de descolonização. Demasiado rápido, na opinião de muitos. A guerra civil, iniciada em 1976, entre dois dos principais movimentos que lideraram a luta pela independência, a Frelimo e a Renamo, arrastou-se durante duas décadas, com o país completamente à mercê dos interesses geoestratégicos das superpotências mundiais.
No final do conflito, selado com a assinatura, em 1992, do Acordo de Paz, Moçambique era considerado o mais pobre dos países da África Austral. Foi tempo então de tentar reverter a situação: a adesão do país à Commonwealth constitui um dos vértices da reconciliação e da subsequente pacificação. Os investidores começaram a acreditar nas potencialidades de um território ‘colado’ à África do Sul, a potência regional. Portugal percebeu o ‘perigo’ e também incentivou o ‘regresso’, com dezenas de empresas a tentarem a sua sorte nos agora florescentes negócios em Moçambique. As idílicas paisagens de uma nação debruçada sobre o Índico potenciam o Turismo, mas o desenvolvimento económico não assenta apenas naquele sector. Cerca de 45% do território tem potencial para agricultura, porém, 80% dela é ainda de subsistência. Mas há também potencial na extracção de madeira, na pecuária, para já não falar da extracção mineira, como o carvão, sal, grafite, bauxita, ouro, pedras preciosas e semipreciosas e das reservas de gás natural.
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