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O ELEITORADO FEMININO PODE ESTAR A MUDAR

As eleições americanas são decompostas em muitas pequenas eleições, com estudos de todo o género para monitorizar o que os candidatos ganham ou perdem dia a dia, semana a semana, mês a mês. Uma das mais importantes é a de género em que, tradicionalmente, os republicanos lideram nos homens e os democratas nas mulheres.
27 de Setembro de 2004 às 00:00
Filhas de Bush em campanha
Filhas de Bush em campanha FOTO: d.r.
Em 2000, George W. Bush tinha 11 pontos de vantagem nos homens e Al Gore a mesma percentagem à maior entre o eleitorado feminino. Este ano, Bush mantém a diferença a seu favor nos homens, mas está muito mais perto do candidato democrata nas mulheres – ou mesmo à frente, segundo alguns estudos de opinião. Num estudo CBS/New York Times, Bush lideraria 48-43% e a diferença seria esmagadora no caso das mulheres casadas. Se estas contas não mudarem nestas cinco semanas que faltam até 2 de Novembro, é óbvio que John Kerry não tem qualquer hipótese de ser eleito presidente dos Estados Unidos.
Os analistas encontram duas explicações para esta inusitada situação pré-eleitoral: as mulheres votam normalmente nos candidatos antiguerra, por causa do seu instinto maternal, mas na América pós-11 de Setembro a sua primeira preocupação é a segurança e não a saúde ou a educação. E Bush tem uma imagem de quem vai atrás dos terroristas para voltar a tornar a América invulnerável.
Kerry tinha, há dois meses, o tradicional avanço democrata nas mulheres e tê-lo-á perdido com a refrega sobre a guerra no Iraque e os registos militares dos dois candidatos. Mas há outro factor: as mulheres dos candidatos. Laura Bush é brilhante na televisão, é a única mulher de George W., ajuda a compor um casal que cresceu na mesma terra e que se apaixonou na juventude, como o americano normal; Teresa Heinz Kerry é a segunda mulher de John (qualquer delas, diga-se, muito mais rica que ele próprio), diz que o seu primeiro marido foi o amor da sua vida e faz questão de manter o apelido (muitas vezes é referida apenas como Heinz Kerry, sem Teresa sequer), é demasiado expontânea, é capaz de dizer palavrões que o americano médio acha que ficam mal em gente de classe tão elevada.
Naomi Wolf, que foi conselheira de outras campanhas democratas, escreveu recentemente na ‘New York Magazine’ a propósito da Convenção Democrata que teve lugar em Julho: “O discurso de Teresa Heinz Kerry, que fez tudo menos ignorar o marido, fez mais por o tornar efeminado do que os seus opositores todos podiam ter conseguido”. E mais: “Junte-se a tudo isto a sua queda para o preto, que nenhuma mulher usa na América profunda” e, diz Wolf, “podem ter ideia de tudo aquilo com que Kerry tem que lutar”.
O efeito Teresa, nascida em Moçambique e educada na África do Sul e na Suíça, tem dividido a campanha de Kerry. O senador do Massachussets tem dificuldades em passar uma imagem de homem decidido e sem hesitações e os republicanos, na sua Convenção, tinham uma fórmula para isso: “Flip-flop”, entoavam os delegados todos em Nova Iorque a propósito de Kerry.
É por isso que os debates a dois, o primeiro dos quais já na quinta-feira em Miami, é crucial para Kerry poder encurtar as distâncias que o separam de George Bush.
OS LIVROS SOBRE A FAMÍLIA BUSH
Há mais de cem livros editados sobre a família Bush, quase todos cheios de veneneno. Um dos últimos é ‘A família: a verdadeira história da dinastia Bush’, de Kitty Kelley, que acusa o pai de W., George Herbert, de um longo relacionamento íntimo com a secretária quando era embaixador na China. Mas parece que não há muitas provas disso, a não ser circunstanciais.
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