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Correio da Manhã

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O MITO DA AMÉRICA

Decorridos 40 anos sobre a morte de John F. Kennedy, o presidente mais amado da história dos EUA continua vivo nas memórias de muitos. O seu assassinato, em 22 de Novembro de 1963, em condições pouco claras, contribuiu para transformá-lo numa lenda.
22 de Novembro de 2003 às 00:00
Líder dotado e com o dom da palavra, era frequentemente impulsivo, tendo deixado como legado político um conjunto de projectos e ideais mais do que de realizações. Mas nem a passagem do tempo e a revelação das suas fraquezas logrou devolver Kennedy inteiramente à condição de ser humano.
Eleito presidente em 1960, ficou ligado a fracassos clamorosos, como a tentativa de derrube de Fidel Castro, em 1961, embora tenha também aberto caminho a grandes conquistas, nomeadamente no campo dos direitos humanos e da pacificação mundial.
Kennedy era descendente de irlandeses e nasceu em Brookline, Massachusetts, a 29 de Maio de 1917. Participou na Segunda Guerra Mundial ao serviço da Armada e em 1943 destacou-se por ter salvo vários camaradas quando o seu barco de patrulha foi afundado por um vaso de guerra japonês.
A sua carreira política foi meteórica. Em 1953 tornou-se senador, e em 1960 derrotou o candidato republicano, Richard Nixon, nas presidenciais. O triunfo transformou-o no primeiro presidente católico dos EUA e, aos 43 anos, no mais jovem de sempre. No discurso inaugural, em Janeiro de 1961, cunhou uma das frases lapidares pelas quais é conhecido: “Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que podes fazer pelo teu país”.
QUERER A LUA E TÊ-LA
Humanista empenhado, lutou pelos direitos cívicos e militou contra a pobreza. O chamado escândalo da Baía dos Porcos, tentativa de derrube de Fidel, maculou a sua imagem e levou a União Soviética a instalar mísseis em Cuba no ano seguinte. A guerra nuclear nunca esteve tão próxima, mas Kennedy fez uma aproximação ao Bloco de Leste e logrou assinar o primeiro pacto de não proliferação nuclear, em 1963.
O seu nome ficará ligado à chegada à Lua, pois foi o seu empenho em levar os EUA a superar o atraso face ao rival soviético na conquista do espaço que permitiu a Neil Armstrong, em 1969, tornar-se no primeiro ser humano a pisar a superfície de outro planeta.
A sua breve presidência terminou de forma abrupta quando um atirador (ou atiradores, segundo as teorias da conspiração) o baleou num desfile em Dallas, Texas. Lee Harvey Oswald, o presumível homicida, foi assassinado pouco depois, segundo alguns para não revelar a conspiração na qual terá participado a Máfia, a CIA, o FBI, ou até mesmo Cuba. Mais do que de factos é de incertezas que se alimentam os mitos, pelo que o de Kennedy tem garantida a eternidade possível de quanto é humano.
HOMEM DE FAMÍLIA E AMANTE INSACIÁVEL
A figura mítica de J.F. Kennedy está indelevelmente ligada à de Jacqueline Bouvier, com quem casou em 1953. O seu romance ainda hoje é lembrado como um dos exemplos da idílica concepção de família americana criada nos anos 50. Mas a verdade era bem diferente.
Em 1975, 12 anos decorridos sobre a sua morte, tornou-se público que Kennedy era um “predador” sexual. A sua amante n.º 1, Judith Campbell Exner, foi forçada a revelar tudo no âmbito de uma investigação do Senado e desde aí tem lugar cativo em todas as biografias do presidente.
MOMENTOS
1961 - Kennedy toma posse em Janeiro e, numa das suas primeira medidas, manda melhorar a comida distribuída aos de-sempregados.
1961 - Kennedy assume em Abril a responsabilidade pela invasão secreta de Cuba (escândalo da Baía dos Porcos) e promete mudanças políticas.
1962 - Anuncia em Outubro o início de um bloqueio naval a Cuba para forçar a União Soviética a não instalar mais mísseis no país.
1963 - Visita Berlim em Junho, dois anos depois de erguido o ‘Muro’, e faz um dos seus discursos mais célebres. A frase “Eu sou um berlinense”, dita em alemão, correu mundo e ainda hoje é citada.
1963 - Em 22 de Novembro, durante uma visita a Dallas, Texas, Kennedy é baleado por um atirador emboscado num prédio. Lee Harvey Oswald é acusado do assassinato mas foi morto antes de revelar a sua versão em tribunal. Este assassinato reforçou a teoria de implicação de organizações poderosas, como a CIA ou a Máfia, no atentado contra Kennedy.
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