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Correio da Manhã

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O Ocidente vai sofrer mais

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, França, Reino Unido e China) mantiveram ontem um breve encontro em Nova Iorque sobre a crise iraniana, com Teerão a manter o desafio, recusando-se a renunciar ao seu programa nuclear. O presidente Mahmoud Ahmadinejad criticou duramente a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e afirmou que o Ocidente vai sofrer mais do que o Irão.
10 de Março de 2006 às 00:00
A central nuclear iraniana de Natanz. Soldados iranianos montam guarda junto a uma antiaérea
A central nuclear iraniana de Natanz. Soldados iranianos montam guarda junto a uma antiaérea FOTO: Rahebhomavandi, Reuters
Durante uma visita à província de Lorestan, o presidente iraniano manifestou a sua indignação pelo facto de a AIEA ter decidido remeter a questão nuclear iraniana para o Conselho de Segurança da ONU: “O povo do Irão não vai aceitar coerção e decisões injustas de organizações internacionais. Os nossos inimigos não podem obrigar o povo iraniano a renunciar aos seus direitos. A era da intimidação e brutalidade chegou ao fim”.
No seu inflamado e polémico discurso, Mahmoud Ahmadinejad voltou a fazer ameaças. “Os países ocidentais sabem que não podem infligir golpes à nação iraniana porque precisam dela. Eles vão sofrer mais, são mais vulneráveis”, declarou.
O líder religioso supremo do país, ayatollah Ali Khamenei, corroborou as afirmações de Ahmadinejad e apelou para que não haja cedências: “Se recuarmos agora, os americanos arranjarão novo pretexto”.
Os EUA pressionam para que seja tomada uma acção urgente contra Teerão, mas a verdade é que não há consenso entre os membros permanentes, os únicos com direito de veto. A Rússia já afirmou que não acredita que sanções verguem o Irão e insiste numa solução negociada, descartando a opção militar. Por sua vez, a China afirma-se convencida de que ainda há espaço para negociações.
RICE ADMITE
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, admitiu ontem que o Irão poderá ser o maior desafio para a política externa dos EUA. “Não deveremos enfrentar maior desafio vindo de um único país, cujas políticas em relação ao Médio Oriente são 180º contrárias às nossas”, afirmou.
Diplomatas em Nova Iorque afirmam que o Conselho de Segurança deverá começar por fazer um novo apelo para que o Irão suspenda o enriquecimento de urânio e pedir que a AIEA fiscalize as suas actividades nucleares.
CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU - MEMBROS PERMANENTES (com direito de veto)
CHINA
Dependente do petróleo iraniano. Aberto a compromissos, porém não vê com bons olhos a proliferação nuclear do seu 'vizinho'.
EUA
Desde há dois anos que defendem uma linha dura. Washington propõe sanções para parar imediatamente o seu programa nuclear.
REINO UNIDO E FRANÇA
Querem firmeza mas estão dispostos a continuar as negociações. Juntamente com a Alemanha, tentaram um acordo com o Irão, mas sem resultados. Favoráveis a um compromisso.
RÚSSIA
Conduziu a última mediação, mas sem êxito. Moscovo colabora com Teerão no dossiê nuclear. Disposta a vigiar o Irão e opõe-se à linha dura.
MEMBROS NÃO PERMANENTES
Argentina, Rep. Congo, Dinamarca, Gana, Grécia, Japão, Peru, Qatar, Eslováquia e Tanzânia. Estes países não têm direito de veto, o único modo de bloquear uma resolução.
OPÇÃO MILITAR CONTRA TEERÃO
O general Moshé Yaalon, ex-chefe de Estado-Maior israelita, afirmou que o seu país tem uma opção militar para contrariar o programa nuclear iraniano.
DETIDOS MAIS DE 50 REBELDES
Mais de 50 pessoas foram detidas na província rebelde, de maioria árabe, do Kuzestão, no Sul do Irão, onde se localizam a maior parte dos poços petrolíferos do país. Segundo um responsável de Teerão, os detidos são acusados de terem levado a cabo nos últimos meses ataques à bomba e dezenas de outros protestos contra as forças governamentais. “As forças de segurança prenderam mais de 50 pessoas” – afirmou a referida fonte.
O Irão acusa o Reino Unido, cujas tropas estacionadas no Iraque estão muito perto daquela região, de fomentar a instabilidade naquela província.
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