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O regresso do soldado

Um antigo militar japonês, deixado ficar para trás após a capitulação do Exécito Imperial na II Guerra Mundial e dado como morto pela própria família, estava, afinal, vivo e de boa saúde na Ucrânia. Emocionado, regressou ontem ao Japão, país que julgou nunca mais voltar a ver.

20 de abril de 2006 às 00:00

Ishinosuke Uwano, actualmente com 83 anos, estava estacionado na ilha russa de Sacalina quando a guerra acabou. Como tantos outros companheiros, foi deixado para trás e forçado a adaptar-se sozinho a uma nova realidade. A última vez que a família teve notícias dele foi em 1958 – alguém o teria visto ainda em Sacalina. A partir daí, perdeu-se a sua pista. Sem qualquer notícia ou indicação de que estivesse vivo, os sobreviventes da sua família pediram em 2000 ao governo para o declarar oficialmente como morto.

No ano passado, no entanto, Uwano contactou as autoridades. Tinha-se mudado para a Ucrânia, onde casou e teve três filhos. Afirma nunca ter tentado contactar a família no Japão porque foi impedido de o fazer pelas autoridades da ex-URSS.

Ontem regressou finalmente à sua terra natal. Ao aterrar em Tóquio, com a voz embargada pela emoção, apenas conseguiu balbuciar “konnichiwa” [olá], uma das poucas palavras japonesas de que ainda se lembra.

A LONGA GUERRA DE HIROO ONODA

Ishinosuke Uwano não foi o único soldado nipónico abandonado atrás das linhas inimigas após a rendição do Japão em 1945. O mais famoso caso é o de Hiroo Onoda, um soldado que continuou a combater sozinho, 29 anos depois do fim do conflito. Onoda, oficial de informações na ilha filipina de Lubang, fugiu para as montanhas com alguns companheiros quando os americanos tomaram a ilha, e aí continuou a sua guerra durante mais de duas décadas. Os seus companheiros foram sendo mortos ou capturados, até que, em 1972 ficou sozinho.

A Polícia local percorria muitas vezes a selva com megafones, afirmando que a guerra tinha terminado, mas Onoda nunca acreditou e manteve a sua luta, fazendo incursões frequentes às aldeias vizinhas para se abastecer. Só se rendeu em 1974, quando o Japão enviou ao local o seu antigo comandante. Perdoado pelo ex-presidente filipino Ferdinando Marcos, mudou-se para o Brasil e escreveu um livro sobre a sua guerra pessoal intitulado ‘No Surrender’.

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