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Correio da Manhã

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Obama e McCain debatem crise

Barack Obama e John McCain foram na noite de sexta-feira protagonistas do primeiro de três debates televisivos na corrida à presidência norte-americana, no qual a economia e a política externa assumiram um papel de destaque. Marcado por um clima de “boas maneiras”, como relatado pela imprensa local, a dureza dos republicanos e democratas não deixou de ser visível aquando a defesa dos seus ideais.
27 de Setembro de 2008 às 11:36
John McCain e Barack Obama
John McCain e Barack Obama FOTO: Reuters

Sobre a crise financeira que os EUA atravessa, o candidato democrata, Barack Obama afirmou que a actual situação é o resultado de “oito anos de políticas erradas de George W. Bush”. Políticas essas “apoiadas pelo senador McCain”, sublinhou.

Para o senador de Illinois, a solução passa por “progredir rápida e inteligentemente”.

Já o senador McCain mostrou-se confiante na solução apresentada pela administração Bush, um plano ainda em discussão no congresso norte-americano.

O republicano acusou ainda o seu rival de esbanjar dinheiro público, recordando que Obama pediu 932 milhões de dólares de subsídio para o seu Estado (Illinois) no âmbito de projectos de lei discutidos no Senado.

“Não é assim que vamos reduzir as despesas de Washington”, frisou McCain.

Relativamente à situação no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão, Obama afirmou estar pronto para realizar ataques militares em território paquistanês contra os terroristas, com ou sem a autorização do governo local, se tal for necessário.

O senador de Illinois reiterou ainda que o Afeganistão é o terreno crucial para a luta contra o terrorismo, mais do que o Iraque, afirmando que “perdermos o essencial de vista” e relembrando que sempre se opôs a esta guerra.

McCain, mais cauteloso, defendeu que lançar publicamente este género de ameaças “não ajuda em nada” e assegurou que os EUA estão perto de ganhar o conflito no Iraque. Para o candidato republicano, a estratégia de envio de dezenas de milhares de reforços para travar a insurreição “foi coroada de sucesso”.

O senador republicano tentou, no entanto, distanciar-se das políticas de Bush, relembrando que no passado criticou a forma como foi conduzida a guerra.

O Irão e a Rússia foram também pontos fortes do debate,

Os EUA “não podem permitir um segundo holocausto”, afirmou McCain a propósito das ameaças iranianas, propondo uma “liga de democracias, um grupo de países que partilhem valores comuns, ideais comuns e que controlem também grande parte do poder económico mundial”.

Obama concordou com o adversário sobre o facto de os EUA não poderem tolerar um Irão dotado de uma arma nuclear e apelou a sanções mais duras contra Teerão. “Devemos lançar-nos numa diplomacia firme e directa com o Irão”, defendeu.

Sobre Moscovo, o democrata considerou que o ressurgimento de uma Rússia “agressiva” constitui uma ameaça para a paz, pelo que “toda a nossa atitude deve ser reavaliada”.

McCain acusou o rival de ter tido uma primeira reacção tímida, ao apelar à contenção das duas partes, e que Obama “não compreende que a Rússia cometeu uma agressão grave contra a Geórgia”.

A Rússia tornou-se “um Estado controlado por membros do KGB”, afirmou McCain.

 

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