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Correio da Manhã

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Obama em viagem para dar provas

O quase candidato oficial do Partido Democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, iniciou ontem no Afeganistão um périplo internacional com escalas previstas em Israel, Jordânia, Alemanha, França e Reino Unido. O Iraque está também nos planos do senador do Illinois, mas, por razões de segurança, os conselheiros não confirmaram se a visita terá lugar durante este périplo.
20 de Julho de 2008 às 00:30
A segurança foi reforçada em Cabul, onde ontem Barack Obama iniciou o périplo internacional
A segurança foi reforçada em Cabul, onde ontem Barack Obama iniciou o périplo internacional FOTO: d.r.

Depois de aterrar em Cabul, Obama foi levado de helicóptero para o leste do país a fim de visitar as tropas dos EUA, confirmou um responsável militar. Estava previsto ainda um encontro do candidato democrata com o presidente afegão, Hamid Karzai, que na semana passada criticou por se manter afastado da população. "Penso que o governo não saiu do bunker para ajudar a organizar o Afeganistão", afirmou Barack Obama.

Recorde-se que o senador do Illinois defende a deslocação de tropas do Iraque para o Afeganistão, país onde a resistência taliban tem intensificado nos últimos meses a luta contra as tropas multinacionais.

As viagens por palcos da guerra ao terrorismo, pelo Médio Oriente e principais capitais europeias é encarada como parte do esforço para provar aos cépticos que tem perfil de estadista, que está à altura de ocupar o cargo de Chefe do Estado--Maior das Forças Armadas e de ser um protagonista convincente na política internacional. Na actual fase da campanha eleitoral nos EUA são cada vez mais os eleitores com empatia por Obama que se interrogam: como é que este candidato, que está há apenas três anos na política nacional, vai lidar com crises no estrangeiro? O senador espera poder tranquilizá-los durante este périplo.

Questionado antes de partir para Cabul sobre qual a mensagem que leva aos líderes afegãos e iraquianos, Barack Obama afirmou-se "mais interessado em escutar", a fim de perceber quais "as principais preocupações" dos líderes políticos e dos comandantes militares no terreno. A reserva foi também justificada com o facto de não ter sido ainda eleito. "Vou estar ali enquanto senador. Temos um presidente de cada vez", explicou, "e é parte das funções presidenciais transmitir esse tipo de mensagens".

Assinale-se que as escalas europeias foram já razão de desentendimentos, nomeadamente com a chanceler alemã, Angela Merkel. Em Berlim, Obama gostaria de falar diante da Porta de Brandeburgo, numa tentativa de se colar à carismática figura de John F. Kennedy, mas o governo de Merkel – apesar da discordância do ministro dos Negócios Estrangeiros, o social-democrata Walter Stein-meier – deixou claro que nesse local só discursam líderes eleitos. A alternativa encontrada foi a Coluna da Vitória, onde se espera que Obama seja escutado, na próxima quinta-feira, por milhares de pessoas.

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