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Correio da Manhã

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Obama pede virar de página

Na entrada para a última semana de campanha, o candidato democrata Barack Obama lançou ontem um forte ataque a John McCain, voltando a destacar as semelhanças entre o candidato republicano e o presidente cessante, George W. Bush, principalmente em matéria económica, numa tentativa de atrair o voto dos eleitores mais afectados pela crise financeira.
28 de Outubro de 2008 às 00:30
Obama juntou mais de cem mil pessoas em Denver, no maior comício da campanha
Obama juntou mais de cem mil pessoas em Denver, no maior comício da campanha FOTO: Jason Reed/Reuters

'Dentro de uma semana, vamos poder mudar a página das políticas que privilegiaram a ganância e irresponsabilidade de Wall Street em vez do trabalho árduo e sacrifício das pessoas comuns', afirmou Obama em Canton, Ohio, num discurso descrito pela sua campanha como o 'argumento final' para convencer os eleitores ainda indecisos. A escolha da economia como tema não foi inocente, já que a crise financeira que abala os EUA foi uma das principais causas da acentuada quedadeMcCainnas sondagens nas últimas semanas.

Ao insistir na ligação entre as políticas económicas de McCain e as da cessante administraçãoBush, o candidato democrata – que nodomingoreuniu mais de cem mil pessoas em Denver, Colorado, no maior comício da campanha – espera captar o voto daqueles que responsabilizam o poder de Washington pela crise financeira.'OsenadorMcCain serviu este país de forma honrada e até podemos destacar alguns momentos nos últimos oito anos em que ele se afastou da administração Bush. Mas no que diz respeito à economia, no que diz respeito ao assunto central desta eleição, a verdadeéqueMcCainsempreapoiou as políticas do presidente Bush', afirmou Obama.

MCCAIN AO ATAQUE

Ambos os candidatos iniciaram a derradeira semana de campanha no Ohio, estado onde Bush venceu em 2000 e 2004, mas onde Obama lidera as sondagens. Ciente do facto, McCain apostou igualmente na economia como tema central do seu discurso em Cleveland. Rodeado por uma equipa de peritos em temas económicos, voltou a acusar o rival de pretender aumentar os impostos. 'Esta eleição resume-se a decidir de que forma queremos que o nosso dinheiro seja gasto. Queremos guardá-lo para investir no futuro ou queremos que seja gerido pela pessoa mais liberal que alguma vez se candidatou à Presidência?', questionou.

EUA EM NÚMEROS

SÓ 1,6% NA AGRICULTURA

Um dos números marcantes do desenvolvimento dos EUA está na reduzida parte da população activa no sector primário, agricultura e pescas. Apenas 1,6%, quando em Portugal, com os campos desertificados, há 11,5%, ou seja, sete vezes mais. Aquele 1,6% da população activa produz 1,20% do PIB, enquanto em Portugal os 11,5% valem apenas 2,79% do PIB.

78% da população activa dos EUA trabalha em Serviços. A percentagem é muito superior à portuguesa (58,4%), mas os contributos para o PIBassemelham-se: 75,8% nos EUA e 72,23% em Portugal.

67,10% dos habitantes dos EUA têm idades entre os 15 e os 64 anos. A percentagem é quase igual à existente na população portuguesa (67,29%), mas as perspectivas são muito diferentes. Nos EUA há mais crianças (20,48%) do que pessoas com mais de 65 anos (12,42%), enquanto em Portugal os mais velhos (17,16%) superam os mais novos (15,55%).

PESO DA INDÚSTRIA

A população activa é 20,4% para criar 23% do Produto Interno Bruto.

AS FRASES

'Sondagens sempre nos mostraram mais atrás do que estamos': John McCain Candidato republicano

'Não vamos deixar George W. Bush passar o testemunho a McCain': Barack Obama Candidato democrata

'Tento ignorar as críticas, porque são ridículas': Sarah Palin sobre o guarda-roupa

'ESTOU FARTO DE PRESIDENTES ANGLO-SAXÓNICOS COM MANIAS'

'Espero que o próximo presidente dos EUA seja o Barack Obama, porque estou farto dos presidentes anglo--saxónicos com manias de superioridade e atitudes megalómanas', frisa Manuel Luciano da Silva, imigrante português que partiu para a América do Norte há 62 anos, mas veio ainda jovem a Portugal tirar um curso de Medicina, na Universidade de Coimbra. Concluiu-o com média distinta de 17 valores e seguiu de novo para o outro lado do Atlântico para desenvolver a carreira profissional.

Manuel da Silva é o autor do livro ‘Cristóvão Colombo era Português’, adaptado ao cinema por Manoel Oliveira, e tem uma visão arrasadora da actual situação de crise financeira: 'Desde a Segunda Guerra Mundial que a situação dos EUA nunca foi tão grave', observa, para destacar que a ‘cegueira’ aos sintomas de crise tem muito a ver com as manias dos anglo--saxónicos, que 'olham para tudo por cima da burra'. E dá um exemplo: 'Cinco meses depois de chegar aos EUA fiz um exame de Inglês em que o aprendido no liceu não foi suficiente. O lamentável é que me classificaram como 4FMD, que quer dizer doente mental. Dez anos depois era MD, mas de Medical Doctor (doutor médico).'

Revela-se também crítico quanto à intervenção política dos lusos: 'Uns 80% dos imigrantes são democratas e vão votar Obama, mas o nosso papel tem sido muito fraco. É incrível que em New Bedford, com 63% de habitantes de ascendência lusa, só haja memória de um luso-americano ser eleito mayor. O mesmo acontece em Fall River, Newark e outras cidades com muitos imigrantes.'

PERFIL

Manuel Luciano da Silva, de 82 anos, nasceu em Vale de Cambra, na Beira Litoral, e fez o liceu em Oliveira de Azeméis. Com a mãe, juntou-se ao pai nos EUA em 1946 e tirou Ciências Biológicas em Nova Iorque. Vive em Dighton, no Rhode Island, com dois filhos e quatro netos.

VIRGINIA PODE SER DECISIVA

Mesmo ao lado de Washington D.C., o coração político da América, o pequeno estado de Virginia pode guardar a chave das presidenciais. Não pela sua importância eleitoral – representa apenas 13 dos 270 votos eleitorais necessários para conquistar a Casa Branca – mas pelo seu estatuto simbólico: desde 1952, apenas uma vez a Virginia foi ganha por um democrata. No entanto, desta vez, as sondagens colocam o democrata Obama dez pontos à frente de McCain, o que levanta uma questão crucial: se McCain nem sequer consegue segurar este bastião republicano, como espera vencer em estados cruciais como a Florida e o Ohio?

A CAMPANHA NA TV

CBS INVESTIGA FRAUDE

Com 40 milhões de votos antecipados, a estação investigou as possibilidades de fraude e as alegações de que muitos eleitores estão a ser impedidos de votar.

SKY DESTACA ECONOMIA

O canal britânico destacou a importância da crise económica na decisão dos eleitores.

O QUE DIZ A IMPRENSA

'McCain pode vencer na Florida. Mas o facto de a luta ainda ser tão cerrada é um sinal de como a capacidade organizativa de Obama mudou o mapa político'

‘The Washington Post’

'O plano de saúde de McCain deve ser uma das propostas mais incompreendidas desta campanha'

‘The Wall Street Journal’

'McCain deve conquistar uma maior fatiade indecisos do que Obama'

‘Weekly Standard’

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