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Obama "tem feito um óptimo trabalho na política externa"

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem feito "um óptimo trabalho na política externa", disse Roger Myerson, vencedor do Nobel da Economia de 2007, em entrevista à Lusa.
9 de Setembro de 2012 às 11:30
O economista nota que a política americana está actualmente paralisada pelas divergências políticas entre democratas e republicanos, e que Obama "não teve grande sucesso a construir consensos"
O economista nota que a política americana está actualmente paralisada pelas divergências políticas entre democratas e republicanos, e que Obama 'não teve grande sucesso a construir consensos' FOTO: Reuters

"Creio que [Obama] compreende instintivamente que o país mais poderoso do mundo tem de usar o seu poder com contenção", afirmou Myerson, à margem de uma conferência sobre desenvolvimento económico em África na Universidade Nova de Lisboa.

Myerson considera contudo que o resultado das eleições presidenciais nos EUA, em Novembro, onde Obama irá enfrentar o republicano Mitt Romney, terá relativamente pouco impacto na cena internacional.

"As políticas de negócios estrangeiros e de economia internacional [de Obama e Romney] provavelmente não serão muito diferentes, por aí não haverá muita diferença", disse o economista norte-americano, professor na Universidade de Chicago.

"Os republicanos acusam Obama de ser um radical de esquerda, e ele não o é. Os democratas acusam Romney de ser um extremista de direita, e ele não o é", continua Myerson.

O economista nota que a política americana está actualmente paralisada pelas divergências políticas entre democratas e republicanos, e que Obama "não teve grande sucesso a construir consensos".

"No sistema americano, os partidos têm uma unidade muito mais frágil que na Europa. Mas, nos últimos anos, os republicanos tornaram-se num partido mais coeso, reforçaram a disciplina partidária", e isso resultou numa oposição obstrucionista no Congresso dos EUA às políticas de Obama.

Apesar de considerar que não haveria diferenças muito substanciais nas políticas externas de Obama e Romney, Myerson prefere mesmo assim o actual Presidente.

"Não tenho ouvido Romney falar muito sobre política externa, mas quando fala raramente diz coisas que inspirem muita confiança. Ouço-o regressar à retórica da guerra fria, e não percebo porque é que se há de voltar a esse tipo de tensões", conclui Myerson.

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