Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Obiageli Ezekwesili: Pobreza e excesso de população em Luanda são "bomba-relógio"

A vice-presidente do Banco Mundial para África considerou em entrevista à Lusa que a pobreza e o excesso de população em Luanda são uma "bomba-relógio" e aconselhou o governo angolano a incluir os cidadãos na discussão sobre o futuro do país.
9 de Junho de 2011 às 10:47
Obiageli Ezekwesili aconselhou o governo angolano a incluir  os cidadãos na discussão sobre o futuro do país
Obiageli Ezekwesili aconselhou o governo angolano a incluir os cidadãos na discussão sobre o futuro do país FOTO: d.r.

"Espero que os angolanos percebam a urgência de resolver este problema  (da pobreza).

Angola urbanizou-se muito rapidamente e quando olhamos para  a capital Luanda vemos uma concentração massiva de pessoas e sinais diários  de pobreza urbana que o governo precisa combater porque é uma bomba-relógio",  disse Obiageli Ezekwesili, em entrevista à Lusa à margem da reunião anual  do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que decorre em Lisboa.  

A responsável do Banco Mundial considerou, por outro lado, que a situação  nas zonas rurais também não pode ser descurada.  "Quando visitei uma escola numa localidade rural em Angola, era muito  cedo e as crianças estavam todas a dormir devido à má nutrição. Todas estas  questões contam e é preciso resolvê-las de forma integrada. A má nutrição  impede as crianças de aprenderem, por isso elas tentarão ir para Luanda  onde irão engrossar o volume de população sem formação e sem empregos",  disse. 

Obiageli Ezekwesili defendeu que "é preciso envolver a população" e  criar "confiança pública na forma como o governo está a abordar este tipo  de problemas. 

A vice-presidente do Banco Mundial para África comentava assim as recentes  manifestações de contestação ao regime de José    Eduardo dos Santos em Luanda,  que culminaram com a detenção de vários manifestantes, e os confrontos de  setembro de 2010 por causa do aumento do preço dos alimentos em Moçambique.  

Para Obiageli Ezekwesili, Angola e Moçambique enfrentam problemas semelhantes  porque ambas as economias são baseadas na exploração dos recursos naturais,  desincentivando o crescimento de outros sectores.  

"A solução passa por olhar as macro e as micro políticas como um todo  e gerir prudentemente os recursos provenientes das minas ou do petróleo,  direcionando-os para a educação. Quando se transfere este capital para o  capital humano, está-se a apostar em capital mais duradouro", disse.  

Obiageli Ezekwesili sublinhou ainda a necessidade de resolver o problema  das infra-estruturas, ligando as zonas rurais às urbanas, considerando que  desta forma é possível criar o contexto para a realização de negócios, atrair  o sector privado e gerar emprego.  

 

Banco Mundial Angola população
Ver comentários