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Correio da Manhã

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Olho do furacão chega ao Louisiana

O 'olho' do Furacão Katrina tocou terra, na costa do Louisiana pouco depois do meio-dia (hora de Lisboa). A tempestade evoluiu sobre o Golfo do México ganhando força até se tornar um furacão de categoria máxima, com ventos de 280 km/h, mas chegou mais fraco à placa continental, muito embora as autoridades não tenham reduzido as expectativas catastróficas de destruição.
29 de Agosto de 2005 às 13:37
Cerca de 70% dos habitantes de Nova Orleães abandonaram a cidade. O furacão pode deixar a zona baixa inabitável durante semanas
Cerca de 70% dos habitantes de Nova Orleães abandonaram a cidade. O furacão pode deixar a zona baixa inabitável durante semanas FOTO: Reuters
Na fase final da trajectória sobre o Golfo do México, a classificação do Furacão Katrina foi reduzida para Categoria 4 (na Escala de Saffir-Simpson, com cinco níveis), ainda assim com ventos entre os 170 e os 200 km/h, acompanhados por chuvas torrenciais.
Nesse último trajecto sobre o mar, o Katrina também se desviou cerca de 30 quilómetros para Nordeste, mas os especialistas mantêm uma taxa de probabilidade superior a 70% de o 'olho' do furacão passar directamente sobre o centro de Nova Orleães, de onde fugiram cerca de 1 milhão de pessoas.
A passagem do Katrina no Golfo do México afectou o parque industrial petrolífero instalado na região. A produção diária de petróleo diminuiu pelo menos 42% e a de gás natural 20% e a capacidade total norte-americana das refinarias foi diminuida em pelo menos 8,5%.
Esta 'ferida' na produção deverá demorar cerca de dois meses a sarar e os efeitos na cotação do petróleo em Nova Iorque foram imediatos. Esta manhã, o barril de petróleo atingiu em Nova Iorque um 'pico' de 70,80 dólares, o máximo de sempre. Os estragos do Katrina começaram logo aí, mas o pior ainda deverá estar para vir.
Depois de ter tocado terra na Florida, na semana passada, e de aí ter provocado a morte a sete pessoas, o Katrina entrou no Golfo do México, ganhou uma potência histórica e chegou hoje ao Louisiana.
A cidade de Nova Orleães, com 70% do seu perímetro urbano abaixo do nível do mar, protegida por diques dos inúmeros espelhos de água circundantes, corre o risco de, pura e simplesmente, ficar totalmente alagada. O Katrina é um dos quatro furacões mais fortes dos últimos cem anos, o mais forte a atingir Nova Orleães desde 1965. As autoridades temem que a zona central da cidade possa ficar inabitável durante semanas. Especialistas calculam que a tempestade pode custar um total de 25 mil milhões de dólares às seguradoras.
O furacão estava a cerca de 60 quilómetros de Nova Orleães e já a cidade estava a ser castigada com rajadas de 135 km/h e chuvas torrenciais. No recinto desportivo Superdome procuraram abrigo cerca de 26 mil pessoas, mas pedaços do recinto voaram com as primeiras rajadas. A Guarda Nacional deu início a uma dramática evacuação do local.
Filas de trânsito com dezenas e dezenas de quilómetros de extensão mantiveram-se durante toda a noite, marcando uma fuga dramática do furacão já debaixo dos primeiros efeitos do mesmo. Em Baton Rouge, uma camioneta com doentes em fuga de Nova Orleães chegou à localidade com três passageiros mortos.
O Katrina vai prosseguir a sua rota destruidora sobre o Delta do Mississipi durante todo o dia. O furacão deverá castigar os estados do Mississippi e do Alabama durante entre 12 a 24 horas, antes de começar a dissipar-se, como acontece a todos os furacões quando ficam sobre terra.
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