Já foram registadas três mortes associadas a síndrome respiratória aguda.
A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Ann Lindstrand, disse esta segunda-feira à Lusa que a situação no navio de cruzeiro Hondius está "sob controlo", após três mortes associadas a uma síndrome respiratória aguda.
"A situação está sob controlo e as equipas médicas estão agora no barco" a avaliar dois membros da tripulação, com sintomas, que um avião ambulância pode vir a socorrer a partir da Praia para os Países Baixos, origem do barco.
Uma terceira pessoa, que partilhava cabine com um dos mortos, pode também vir a ser transportada, mas todo o cenário está a ser avaliado por equipas médicas especializadas, informou.
"Quero felicitar as autoridades de Cabo Verde pela resposta rápida e profissional, desde a primeira hora", disse Ann Lindstrand.
Equipas médicas já foram várias vezes ao barco, que parou à entrada do porto da cidade da Praia, no domingo, sem desembarques permitidos, para proteção da saúde pública e seguindo normas internacionais, indicaram as autoridades cabo-verdianas.
Há 147 pessoas de 23 nacionalidades na embarcação.
As equipas médicas têm subido a bordo com fatos de proteção integral e "estão prontas para fazer uma transferência do barco para ambulância e para o aeroporto".
"As autoridades cabo-verdianas têm experiência em transferências médicas e tenho confiança que esta seja rápida e profissional, assim tenhamos o horário da ambulância aérea", explicou a representante da OMS à Lusa.
Amostras de sangue e urina dos dois casos sintomáticos no barco estão a caminho da Praia para o Instituto Pasteur, em Dacar, Senegal, a cerca de 600 quilómetros, "para serem analisadas com a ajuda de OMS", esperando-se resultados até terça-feira.
Para quem está no barco, "é uma situação muito difícil, esta espera, do ponto de vista da saúde mental, sabendo o que aconteceu com os casos graves. Mas o capitão e as autoridades de saúde estão a informar continuamente os passageiros", descreveu.
Após a eventual transferência médica dos casos sintomáticos, o barco deverá seguir viagem para as Canárias, como inicialmente previsto no cruzeiro que arrancou da Argentina, para semanas de observação da natureza na Antártida e ilhas do Atlântico sul.
"Estamos a planificar, com as autoridades espanholas, uma investigação mais profunda, porque o papel da OMS, neste momento, é avaliar o risco de saúde pública. Estamos a fazer um rastreio para investigar de onde vem o vírus", já confirmado num dos casos graves, de um homem britânico sob cuidados intensivos na África do Sul.
Análises genómicas estão ainda a ser feitas a este caso confirmado "para saber se é o tipo de hantavírus (tipo dos Andes) que pode ser transmitido entre pessoas", uma situação "muito rara", referiu.
Segundo Ann Lindstrand, "o risco nacional, em Cabo Verde, é muito baixo, o risco regional é baixo e, a nível global, ainda estamos a ver, porque o barco desembarcou em diferentes ilhas".
Seja como for, "o risco de transmissão [de hantavírus] entre pessoas é muito baixo", reiterou -- no entanto, nos casos em que evolui, "a doença é grave e a taxa de mortalidade é de 35%, pelo que temos de fazer tudo para proteger a população", acrescentou.
As primeiras vítimas mortais foram um casal, um homem holandês de 70 anos, cujo corpo foi retirado do navio na ilha de Santa Helena, e a esposa de 69 anos, transportada para a África do Sul, onde morreu devido a complicações antes de conseguir regressar a casa.
Na ilha de Ascensão, um britânico foi retirado do barco e transportado para os cuidados intensivos, onde permanece, na África do Sul -- sendo este o caso positivo de hantavírus.
Em declarações à Associated Press (AP), a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, informou que o corpo de uma terceira vítima ainda se encontrava a bordo do navio em Cabo Verde e que a sua prioridade era garantir que dois tripulantes que estão doentes recebiam assistência médica.
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