De acordo com a organização, Brasil e Moçambique estão entre os países que mais cultivam a planta de tabaco.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou esta sexta-feira que mais de três milhões de hectares de terras estão a ser usados em mais de 120 países para o cultivo de tabaco, incluindo países onde as pessoas morrem à fome.
Os dados, expressos em comunicado, surgem nas vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala na próxima quarta-feira, e são reportados no relatório "Cultive alimentos, não tabaco", hoje divulgado, que realça os malefícios do cultivo de tabaco e os benefícios de culturas "mais sustentáveis para agricultores, comunidades, economias e ambiente".
De acordo com o relatório da OMS, Brasil e Moçambique estão entre os países que mais cultivam a planta de tabaco.
Segundo a agência da ONU, mais de 300 milhões de pessoas no mundo "enfrentam insegurança alimentar aguda", enquanto mais de três milhões de hectares de terras em mais de 120 países estão a ser usados para "o cultivo de tabaco mortal", incluindo em "países onde as pessoas estão a morrer à fome".
Os mais recentes dados da OMS revelam que as áreas de plantação de tabaco estão a expandir-se em África, tendo aumentado quase 20% entre 2005 e 2020.
O relatório "Cultive alimentos, não tabaco" destaca que Brasil, China e Índia contribuem para mais de metade (mais de 55%) do cultivo mundial de tabaco. No "top 10" dos países mais produtores estão, ainda, Indonésia, Malaui, Moçambique, Turquia, Tanzânia, Estados Unidos e Zimbabué.
A OMS assinala que a cultura do tabaco causa doenças aos agricultores e que mais de um milhão de crianças que trabalham nas plantações "estão a perder a oportunidade de estudar".
"O tabaco não é só uma grande ameaça para a insegurança alimentar, mas também para a saúde em geral, incluindo a saúde dos produtores de tabaco. Os agricultores estão expostos a pesticidas, fumo de tabaco [no processo de cura das folhas] e a tanta nicotina quanto a detetada em 50 cigarros", salientou o diretor para a Promoção da Saúde na OMS, Ruediger Krech, citado no comunicado, alertando para problemas de saúde como doenças pulmonares crónicas e envenenamento por nicotina.
Face aos malefícios do consumo de tabaco, a Organização Mundial da Saúde exorta os governos a pararem de subsidiar o cultivo da planta e a apoiarem culturas agrícolas mais sustentáveis que "poderiam alimentar milhões" de pessoas.
"O tabaco é responsável por oito milhões de mortes por ano. Contudo, os governos no mundo gastam milhões a apoiar plantações de tabaco", denunciou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado no mesmo comunicado, frisando que ao optar-se por cultivar alimentos em vez de tabaco prioriza-se a saúde, preservam-se os ecossistemas e fortalece-se a "segurança alimentar para todos".
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