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ONG pedem ao governo marroquino para abrir investigação

Em causa está o escândalo dos 'Papéis do Panamá'.

09 de abril de 2016 às 19:01

Uma coligação marroquina de organizações de direitos humanos pediu ao governo para abrir uma investigação sobre as personalidades do país que tenham sido sinalizadas no caso "Papéis do Panamá", informou este sábado a agência noticiosa espanhola EFE.

A coligação, que integra cerca de duas dezenas de organizações, mandou uma carta aberta ao chefe do governo, o islamita Abdelilah Benkirane, onde pede a abertura de uma investigação "transparente e rápida" sobre "os suspeitos de terem empresas em paraísos fiscais (...) para fugir aos impostos".

O coletivo de organizações não-governamentais pede ainda ao primeiro-ministro para "informar a opinião pública" sobre as conclusões da investigação e "tomar as medidas legais necessárias" em relação ao assunto.

O governo marroquino ainda não se pronunciou oficialmente sobre a polémica internacional resultante da investigação jornalística na sequência de uma fuga de informação sobre cerca de 11,5 milhões de documentos de quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património.

Entre os nomes marroquinos revelados naqueles documentos figura o do empresário Miloud Chaabi, proprietário da Ynna Holding e considerado o terceiro homem mais rico de Marrocos, e o de Kacem Bennani Smires, dono da empresa agrícola Delassus.

Também apareceu o nome do secretário particular do rei Mohamed VI de Marrocos, Mounir Majidi, como titular de duas empresas 'offshore' no Panamá para gerir a aquisição em nome do monarca de uma escuna e de um hotel em Paris.

O advogado Hicham Naciri, que representa Majidi, disse numa entrevista ao portal "medias24.com" terem caráter "transparente e legal" os negócios do rei que "procura uma certa discrição nos negócios do que é a sua vida privada".

Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que reuniu para este trabalho 370 jornalistas de mais de 70 países, mais de 214.000 entidades 'offshore' estão envolvidas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios em todo o mundo.

A partir dos Papéis do Panamá, como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em 'offshores' e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

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