Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
7

ONU quer parceria da CPLP para ensino em português no combate ao crime organizado

Comunidade composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Lusa 25 de Outubro de 2019 às 19:56
Ensino
Ensino FOTO: Bruno Colaço
A agência das Nações Unidas para o combate à droga e crime organizado quer parcerias com universidades dos Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para, através do ensino, conseguir adesão social contra aqueles crimes.

O coordenador do programa global na área da educação daquela agência da Organização das Nações Unidas (ONU), Marco Teixeira, disse esta sexta-feira, em Lisboa, que os países de língua portuguesa "representam 270 milhões de pessoas, que é um universo que não pode de maneira nenhuma ser negligenciado no esforço das Nações Unidas" de combate ao crime organizado.

"Daí que queremos continuar este diálogo com a CPLP e os seus Estados-membros, para cimentar uma cultura de legalidade e promoção do Estado de direito, e, de facto, um maior conhecimento destas temáticas, que são complexas por natureza", acrescentou.

Além disso, alguns destes países também "estão sob uma pressão constante de fenómenos de crime organizado de caráter transnacional", frisou Marco Teixeira, reconhecendo que isso "é um fator de preocupação" para a agência da ONU.

Países que, admitiu, "merecem uma assistência técnica e apoio político e técnico para melhorar as respostas institucionais e nacionais".

O coordenador do programa das Nações Unidas participou na VII Reunião dos Pontos Focais da CPLP, sobre ensino, ciência e tecnologia, que decorreu, entre quinta-feira e sexta, em Lisboa.

A agência das Nações Unidas focada no combate ao tráfico de droga e crime organizado assinou esta sexta-feira, ao final da manhã, um protocolo com três universidades portuguesas: ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

O objetivo é que estas universidades, através dos seus docentes, "traduzam para língua portuguesa e adaptem os nossos materiais pedagógicos ao que é a realidade e contexto jurídico criminal legal português", disse à Lusa Marco Teixeira, coordenador do programa daquele escritório da ONU.

A Reunião dos Pontos Focais pretendeu discutir a cooperação com os Estados que detêm o estatuto de observadores associados da CPLP, bem como, com outras organizações internacionais, e iniciar os preparativos para a IX Reunião de Ministros da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior da CPLP, a realizar-se em Cabo Verde, em 2020.

O responsável das Nações Unidas adiantou que vai trabalhar também com o Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, com base num protocolo assinado na semana passada.

Numa fase seguinte, frisou, será preciso aferir e "fazer uma validação em termos de grupo de peritos, se a sua tradução e adaptabilidade é consentânea com as melhores práticas pedagógicas em ensino de língua oficial portuguesa", além da adaptação curricular de temas como tráfico de droga e de seres humanos, terrorismo e corrupção.

"O objetivo é até ao final do ano termos o primeiro grupo de módulos concluídos em termos de língua portuguesa e, no início do primeiro trimestre do próximo ano, termos uma validação técnica e um lançamento oficial dos recursos pedagógicos em língua oficial portuguesa" no ensino superior, afirmou.

O protocolo com a Universidade de Coimbra já visa também a utilização dos recursos pedagógicos da ONU para aquelas temáticas, no ensino primário e secundário.

"Já garantimos a existência de recursos pedagógicos que incluem vídeo jogos, jogos de mesa, séries de desenhos animados adaptados para um público alvo diferente, que tem de desconstruir estes conceitos em linguagem simples, para crianças e jovens", disse Marco Teixeira.

O programa que Marco Teixeira coordena já abrangeu mais de 700 mil pessoas nos últimos três anos e meio.

Mas o "objetivo é também, em conjunto com as diferentes parcerias, tentar chegar a uma milhão de pessoas a meio do próximo ano, no máximo", um objetivo estratégico para o qual são precisos "parceiros estratégicos", apontou.

"A CPLP é um parceiro estratégico, mas depende da adesão também dos seus Estados-membros a este princípio de colaboração multilateral entre a CPLP e as Nações Unidas", rematou.

A Reunião dos Pontos Focais da CPLP contou também com as intervenções do secretário executivo da organização, embaixador Francisco Ribeiro Telles, e do diretor-geral do Ensino Superior de Cabo Verde e coordenador da reunião, Aquilino Varela, em representação da presidência rotativa cabo-verdiana da organização.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)