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Correio da Manhã

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ONU recusa visitar detidos em Guantanamo

A ONU rejeitou formalmente um convite dos EUA para visitar a prisão de Guantanamo porque não poderia falar em privado com os prisioneiros.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Guantanamo tem sido alvo de denúncias de maus tratos a presos
Guantanamo tem sido alvo de denúncias de maus tratos a presos FOTO: Shane T. Mccoy/ EPA
Segundo os especialistas dos direitos humanos das Nações Unidas, os EUA acabaram por aceitar um pedido que eles tinham feito para visitar a prisão de Guantanamo, mas impuseram uma restrição inaceitável: não ouvir os detidos em privado.
A ONU pretendia enviar cinco monitores à prisão de Guantanamo para uma visita de três dias. O Pentágono limitou a visita a um dia e autorizou a entrada de apenas três monitores. A ONU aceitou estas restrições, mas não abdica de falar com os presos em privado. “É preciso ter uma conversa com eles para podermos fazer uma avaliação da situação credível, objectiva e justa”. Se aceitássemos a restrição de não falar com os presos, estaríamos a violar os nossos princípios”, afirma a ONU em comunicado.
As Nações Unidas têm tentado visitar a prisão de Guantanamo desde a sua abertura, em 2002, mas depararam-se sempre com a resistência dos EUA. As pressões para a autorização das visitas intensificaram-se este ano depois de virem à luz os abusos perpetrados contra os presos.
No comunicado, considera-se ainda “particularmente desapontante que o governo dos EUA, que assumiu consistentemente o compromisso de respeitar os princípios, a independência e a objectividade dos mecanismos para o apuramento de factos, não aceite agora estas condições”. Há perto de 500 presos em Guantanamo e, até agora, só a Cruz Vermelha pôde contactá-los.
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