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Correio da Manhã

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Oposição leva guerra a Damasco

Milhares de soldados sírios foram ontem deslocados para Damasco, onde vários subúrbios de maioria sunita caíram nas mãos das forças rebeldes. Os combates na capital entre opositores e forças do regime do presidente Bashar al-Assad custaram a vida a pelo menos 19 pessoas.
30 de Janeiro de 2012 às 01:00
Milícias fiéis ao regime pediram apoio do Exército para controlar o avanço das forças rebeldes que tomaram os subúrbios de Damasco
Milícias fiéis ao regime pediram apoio do Exército para controlar o avanço das forças rebeldes que tomaram os subúrbios de Damasco FOTO: Ahmed Jadallah/Reuters

Cerca de dois mil soldados de Infantaria em camiões, acompanhados de 50 tanques e veículos blindados, chegaram à zona de Ghouta, junto a Damasco, onde tiveram lugar as primeiras refregas. Segundo fontes rebeldes, a ofensiva prosseguiu depois nas áreas de Saqba, Hammouriya e Kfar Batna, a um par de quilómetros do centro de poder do presidente Assad.

"As mesquitas estão convertidas em hospitais e cortaram--nos a luz", contou Raid, um activista anti-regime, enquanto outro dava conta à agência Reuters de uma guerra urbana que está a deixar "as ruas pejadas de cadáveres".

Há notícias, entretanto, de que Rankous, uma cidade de montanha cerca de 30 km a norte da capital, perto da fronteira com o Líbano, está cercada desde quarta-feira. O fogo de artilharia já matou 33 pessoas e fez dezenas de feridos.

Refira-se que sábado mais de 100 pessoas morreram durante a repressão de manifestações em várias províncias sírias. A este número somam-se os 16 soldados mortos em atentados em Kansafra e Sahnaya.

A França, que tem pedido uma acção musculada contra a Síria, condena "a dramática escalada de violência, que levou a Liga Árabe a suspender a missão de observadores".

LIGA ÁRABE QUER DEMISSÃO DO PRESIDENTE ASSAD

O líder da Liga Árabe, Nabil Elaraby, partiu ontem para Nova Iorque, onde irá apresentar ao Conselho de Segurança da ONU um plano de paz para a Síria, que pede a demissão do presidente Bashar al-Assad. O plano inicial da Liga propunha o início do diálogo com a oposição. Mas, ante a falta de progresso no terreno, que levou à suspensão da missão de observadores árabes, considera-se agora que o regime tem de ceder. A Liga decide a 5 de Fevereiro se retira de vez ou se reforça a missão na Síria.

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