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Correio da Manhã

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Oposição toma poder

A oposição tomou ontem o poder na Quirguízia após uma semana de violentos protestos que culminaram com a ocupação da sede do governo em Bishkek. O presidente Askar Akayev está em fuga e o seu paradeiro é desconhecido. As eleições parlamentares de Fevereiro e Março, consideradas fraudulentas pela oposição e pelos observadores internacionais, foram anuladas e a oposição prometeu já organizar novas eleições livres e justas.
25 de Março de 2005 às 00:00
Depois de no início da semana terem tomado as importantes cidades de Osh e Jalalabad, no Sul do país, os manifestantes avançaram ontem de manhã sobre a capital do país, onde foram recebidos de braços abertos pela população, que saiu para as ruas e engrossou as fileiras da oposição. Um primeiro assalto à sede do governo foi repelido pelas forças de segurança, tendo-se registado violentos confrontos entre opositores e apoiantes do presidente na praça principal da cidade, que causaram um número indeterminado de feridos e deixaram o chão pejado de detritos e manchado da sangue.
Pouco depois, os manifestantes fizeram nova investida sobre a sede do governo, e desta vez as forças de segurança baixaram os braços e deixaram-nos entrar, para evitar o derramamento de mais sangue. Ao final da manhã, um grupo de revoltosos hasteou a bandeira da pequena república centro-asiática no segundo andar do edifício, em sinal de vitória.
As informações provenientes de Bishkek eram ao final da tarde de ontem escassas e confusas, mas parecia certo que os manifestantes controlavam vários edifícios governamentais no centro da capital, bem como a estação de televisão. Os revoltosos tomaram ainda a prisão e libertaram o dirigente da oposição Felix Kulov, detido desde 2000.
PRESIDENTE INTERINO
O presidente Askar Akayev estava em parte incerta. Rumores davam como segura a sua partida do país, rumo ao vizinho Cazaquistão ou a Moscovo, outros indicavam que ele teria procurado refúgio numa base militar russa nos arredores da capital. Chegou a correr o rumor de Akayev teria assinado a sua demissão antes de fugir, mas esta informação não foi confirmada. Certa parece ser a demissão do primeiro-ministro Nikolai Tanayev e dos ministros do Interior e da Segurança.
Segundo a oposição, o Supremo Tribunal reuniu-se já e anulou as eleições parlamentares, que estiveram na origem dos protestos da oposição. Recorde-se que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa denunciou que as duas rondas de votação foram manchadas por várias irregularidades a favor do governo. O dirigente da oposição Ishenbai Kadyrbekov foi ao final da tarde nomeado presidente interino pelo Parlamento, que deu instruções à oposição para formar um novo governo.
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