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“Os pedófilos não podem ser padres”

A caminho dos Estados Unidos, onde a Igreja Católica foi varrida nas duas últimas décadas por milhares de casos de abusos sexuais de crianças por parte de padres, o Papa Bento XVI afirmou a sua "vergonha profunda" por aqueles actos e o seu "empenhamento para fazer tudo o que for possível para que escândalos semelhantes não se repitam no futuro".
16 de Abril de 2008 às 00:30
Bento XVI chegou ontem aos EUA, onde foi recebido por Bush
Bento XVI chegou ontem aos EUA, onde foi recebido por Bush FOTO: Dario Pignatelli/Reuters

'Queremos em absoluto excluir os pedófilos do sacerdócio', enfatizou Bento XVI ao afrontar sem rodeios o problema que deixou profundos estigmas na comunidade católica dos Estados Unidos. Aos jornalistas que o acompanhavam no voo de mais de oito horas entre Roma e Washington declarou peremptório: 'Os pedófilos não podem ser padres.'

'É muito mais importante ter bons sacerdotes do que muitos sacerdotes', explicou o primeiro Papa a visitar os EUA depois da eclosão de milhares de denúncias de abusos sexuais de crianças por padres, em muitos casos feitas por adultos que sofreram por causa daqueles crimes durante dezenas de anos.

A imprensa americana referiu nos últimos dias que desde 1950 mais de cinco mil padres foram acusados de cometer crimes de pedofilia sobre cerca de 12 mil crianças e que as decisões da Justiça terão custado à Igreja Católica mais de 1,3 mil milhões de euros em indemnizações. Só em números de 2007, o site oficial da visita papal aos EUA aponta processos em 190 paróquias de todo o país e 3273 vítimas e familiares ouvidos em processos.

O Papa Bento XVI afirmou que deseja fazer da viagem um virar de página sobre 'uma vergonha profunda' e quer transmitir aos fiéis e ao clero uma mensagem de confiança num futuro sem mais casos. 'Quando leio os relatos das vítimas é difícil para mim compreender como foi possível estes padres traírem a sua missão de transmitirem o que é o amor de Deus àquelas crianças.'

Em Washington, o Papa tinha a recebê-lo na base de Andrews, George W. Bush. Foi a primeira vez que um presidente dos EUA acorreu a acolher um líder de Estado ou espiritual estrangeiro.

PREPARATIVOS

500 PREPARAM ESTÁDIO

Numa operação de contra-relógio, cerca de 500 trabalhadores estão desde domingo a preparar o estádio de basebol National Park, de Washington, para local da missa que Bento XVI celebra quinta-feira de manhã.

COMUNHÃO RÁPIDA

Dar a comunhão a 46 mil/48 mil fiéis em apenas vinte minutos é uma das operações de logística mais complexas da eucaristia do National Park. Para o efeito estão mobilizados 400 padres, que concelebrarão com o Papa.

PLACIDO DOMINGO

O coro de 570 vozes, que com apoio de orquestra acompanhará a missa de Washington, conta com as estrelas de opera Placido Domingo e Denyce Graves, que actuarão individualmente antes da celebração.

OSAMA REFERIU PAPA

O dispositivo de segurança à volta do Papa envolve só em Washington 1300 polícias. Não há ameaças específicas contra Bento XVI, embora Osama bin Laden tenha referido o Pontífice na sua última mensagem, em meados do mês passado.

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