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Correio da Manhã

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Pais de Archie informados que máquinas vão ser desligadas este sábado. Vão passar uma última noite com o filho

Tribunal Europeu dos Direitos do Homem recusou, novamente, intervir no caso do menino inglês em morte cerebral.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 5 de Agosto de 2022 às 20:19
Hollie com o filho, Archie
Hollie com o filho, Archie FOTO: Direitos Reservados
O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem negou o pedido da família de Archie para intervir na decisão do Supremo inglês, que decretou que o menino de 12 anos, em coma e morte cerebral desde abril, não pode ser transportado para uma unidade de cuidados paliativos. A família já foi informada de que as máquinas de suporte de vida da criança vão ser desligadas este sábado de manhã e, sem esperança, os pais vão passar uma última noite com o filho no hospital.

Após ver o último recurso apresentado ao Tribunal de Recurso, em relação à decisão do Supremo Tribunal inglês de não permitir a transferência do pequeno Archie para uma unidade de cuidados paliativos, para "passar os últimos momentos com a família", os pais do menino britânico que está em coma profundo e em morte cerebral há três meses não desistiram e fizeram um novo recurso, desta vez ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH).

Segundo o Daily Mail, o grupo religioso Christian Concern, que tem representado a família, explicou que os advogados fizeram novo recurso para o TEDH esta sexta-feira à tarde. Este é o segundo recurso apresentado a este tribunal, após os pais terem apresentado recurso à decisão do Supremo inglês de desligar as máquinas de suporte de vida à criança. Desta vez a família de Archie recorre da decisão so Supremo inglês anunciada esta sexta-feira de manhã, alegando que há uma violação dos artigos 6.º e 8.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que dizem respeito a um julgamento justo e ao direito ao respeito pela vida privada e familiar.

A família tinha apresentado um recurso à decisão do Supremo Tribunal inglês, apresentado ao Tribunal de Recurso, foi negado esta sexta-feira à tarde e, assim, os tratamentos que estão a ser feitos ao menino no Royal London Hospital, dando razão à decisão que decreta que o menino de 12 anos deve morrer no hospital.

Archie está em coma e em morte cerebral desde abril, quando foi encontrado inconsciente pela mãe em casa. Há suspeitas de que o menino estivesse a participar num ‘desafio suicida’ no TikTok quando se deu a tragédia.

Após uma derrota no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), os pais apelaram ao Supremo Tribunal para que a criança pudesse passar "os últimos momentos em família", numa clínica especializada em cuidados paliativos. O Supremo negou o pedido e os pais recorreram, voltando a perder o recurso.

O fundo Barts Health do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido, que gere o hospital onde Archie está internado, tinha já explicado esta quinta-feira que os médicos defendem que "há riscos consideráveis" com a transferência da criança. "Na condição instável que está, a transferência de ambulância para um ambiente completamente diferente pode acelerar a deterioração prematura que a família quer evitar, mesmo com equipamento e staff dedicado durante toda a viagem", explicam os responsáveis. O hospital acrescenta que o Tribunal decretou que Archie deve permanecer no hospital quando os tratamentos lhe forem retirados e as máquinas deligadas.

A mãe de Archie disse anteriormente que temia o pior: que o filho não tenha direito a oxigénio paliativo quando as máquinas de suporte de vida forem desligadas, como aconteceu em 2018, no caso de Alfie Evans. Nessa altura, a família do menor fez-lhe respiração boca a boca. A mãe de Archie assume estar disposta ao mesmo, numa altura em que um grupo religioso que representa a família já formalizou o pedido para que o oxigénio não seja retirado à criança.

"Se for negado oxigénio ao Archie quando as máquinas forem desligadas eu mesma vou continuar a dar-lhe oxigénio. Rezo para que os tribunais decidam o que está certo. Se recusarem dar-nos permissão para o levarmos para a clínica e não lhe derem oxigénio paliativo, isso é desumano", chorava esta quinta-feira Hollie Dance, que se diz destroçada. "Eu só peço que analisem bem os nosso pedidos, nós só precisamos de um pouco mais de tempo", disse a mãe de Archie em entrevista ao Mirror.

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