Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

PALESTINA À BEIRA DA GUERRA CIVIL

Após uma semana tensa, os ânimos incendiaram-se ontem e a violência deflagrou em Gaza. A centelha do conflito foi a nomeação para a chefia dos serviços de segurança palestinianos de Musa Arafat, sobrinho do presidente da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat.
19 de Julho de 2004 às 00:00
Depois de cerca de 3000 pessoas saírem às ruas de Gaza para contestar a nomeação e de uma esquadra ser incendiada em Khan Yunis, militantes das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa envolveram-se em confrontos com as forças leais a Musa em Rafah.
Segundo testemunhas, centenas de milicianos das Brigadas abriram fogo sobre as instalações da espionagem militar, em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, desta forma culminando com violência uma marcha de protesto contra Musa. À hora de fecho da edição do jornal o edifício estava ainda cercado e não havia notícia de vítimas.
‘Não à corrupção’ e ‘Sim à reforma’ foram alguns dos ‘slogans’ dos manifestantes, que acusam Musa de forte responsabilidade pela corrupção que grassa nas chefias da Autoridade Palestiniana.
Apesar dos protestos, o sobrinho de Arafat tomou posse do cargo deixado vago por Mohamad Dhalan no âmbito de uma reforma precipitada pela onda de sequestros em Gaza, que levou ainda o primeiro-ministro, Ahmed Qorei, a apresentar a demissão. Saliente-se que os sequestros de sexta-feira foram orquestrados pelas Brigadas, descontentes com o que designam “situação de caos e nepotismo”. Um dos raptados foi Ghazi al-Jabali, chefe da Polícia, que foi libertado e demitido, como pretendiam os raptores.
Mas a nomeação de Musa reacendeu a tensão e precipitou a violência de ontem. Em comunicado, as Brigadas afirmaram: “Esta nomeação é um sinal perigoso e abre a porta a um conflito interno”.
Musa, no entanto, respondeu em tom de desafio. “Só aceito ordens de quem me nomeou”, afirmou, prometendo lutar contra todos os potenciais inimigos.
O conflito interno está em curso e o pedido de demissão de Qorei, que Arafat recusou, é apenas um vértice de uma crise à beira de tornar-se guerra fratricida.
Ver comentários