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Correio da Manhã

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Palestinianos queimam sinagogas

Milhares de palestinianos ‘invadiram’ ontem os colonatos da Faixa de Gaza após a partida dos últimos soldados israelitas e festejaram nas ruas o fim de 38 anos de ocupação. Perante a impotência das forças de segurança palestinianas para controlar a multidão, várias sinagogas foram profanadas e incendiadas, no que já foi condenado por Israel como um “acto bárbaro”.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Apesar dos apelos de Israel, palestinianos profanaram e incendiaram sinagogas nos colonatos vazios
Apesar dos apelos de Israel, palestinianos profanaram e incendiaram sinagogas nos colonatos vazios FOTO: Mahammed Salem (Reuters)
Faltavam poucos minutos para as cinco da manhã quando o último tanque israelita abandonou a Faixa de Gaza. Era o momento mais esperado pelos milhares de palestinianos que se concentravam junto aos colonatos: uma gigantesca multidão irrompeu pelas ruas vazias, gritando de alegria e muitos não contiveram as lágrimas. “Este é um dia de alegria e felicidade como o povo palestiniano não tinha há mais de um século”, afirmou o presidente Mahmoud Abbas, que hasteou a bandeira palestiniana em Rafah e prometeu controlar o caos reinante em Gaza “até Janeiro”.
Ignorando os esforços da polícia palestiniana, dezenas de jovens profanaram as sinagogas, únicos edifícios que as tropas israelitas deixaram de pé. Pelo menos quatro templos foram incendiados pela multidão, entre a qual se incluíam centenas de militantes do Hamas e da Jihad Islâmica, que içaram as suas bandeiras sob os escombros dos edifícios israelitas.
Se para muitos palestinianos o dia de ontem foi de celebração, para muitos outros foi de satisfazer uma curiosidade alimentada há anos, a de ver os colonatos ‘do lado de lá’, incluindo as praias que os colonos reservavam só para si. Para alguns, a curiosidade revelou-se fatal: pelo menos cinco morreram afogados.
Enquanto os mais jovens se divertiam, os mais velhos vasculhavam por entre as ruínas das casas à procura de torneiras, portas, janelas e outro material que pudesse ser revendido ou reutilizado.
Registou-se ainda uma troca de tiros junto à fronteira com o Egipto, na qual morreu um palestiniano. O Egipto rejeitou qualquer responsabilidade.
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