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Correio da Manhã

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Palin surpreende e resiste a Biden

O debate da madrugada de quinta para sexta entre os candidatos à vice-presidência dos EUA revelou um Joe Biden competente, como se previa, e sem gaffes, como se temia. Apesar de sondagens de alguns dos principais canais de TV, como a CNN, darem a vitória ao democrata, a verdade é que a republicana Sarah Palin foi a surpresa da noite. Com a lição bem estudada, afastou a má imagem de anteriores aparições públicas e resistiu com eficácia e elegância ao veterano do Senado.

4 de Outubro de 2008 às 00:30
O cumprimento dos rivais após o debate é imagem fiel da cordialidade que pautou o frente-a-frente
O cumprimento dos rivais após o debate é imagem fiel da cordialidade que pautou o frente-a-frente FOTO: Jim Young, Reuters

O tom geral do debate, realizado em Saint Louis, Missouri, e visto na TV por mais de 52 milhões de norte-americanos, foi cordial e educado, em parte devido à preocupação de Biden em não atacar uma debutante na alta-roda política, muito popular junto do eleitorado feminino. Para evitar a armadilha, o senador contornou Palin e dirigiu as críticas mais incisivas directamente ao candidato presidencial republicano, John McCain.

Sarah Palin, por seu lado, usou charme e empatia, sorrindo sempre e dirigindo olhares cúmplices às câmaras enquanto falava para o ‘americano médio’. Assim, durante o debate da crise financeira defendeu o plano de emergência de George W. Bush frisando que é a resposta às dificuldades que "o cidadão comum, como eu, está a passar".

O único ataque directo de Biden a Palin aconteceu a propósito do Iraque, quando instou a rival a explicitar a sua visão do problema. A democrata considerou o projecto de retirada, defendido por Biden e Barack Obama, uma derrota e afirmou, erradamente, que os EUA têm hoje no terreno menos tropas do que quando começou o reforço do contingente proposto por Bush em 2007. Na verdade, os EUA têm 152 mil efectivos no Iraque (números do Pentágono), mais 17 mil do que no início do ano passado.

As incorrecções pautaram, aliás, o debate. Biden, por exemplo, imputou a crise em Wall Street às políticas liberais "dos últimos oito anos", esquecendo que em 1999 ele mesmo votou por uma menor intervenção estatal nos mercados.

No final da noite, CBS News e CNN deram a vitória a Biden, mas uma sondagem desta cadeia de TV revelou que Palin deixou uma imagem positiva devido a uma prestação bem acima do esperado. Analistas do ‘’Wall Street Journal’ partilham esta visão, enquanto o ‘New York Times’ critica Palin e considera que o único mérito foi ter evitado erros crassos.

MAIS DADOS

AUMENTO DE IMPOSTOS

Sarah Palin acusou Barack Obama de ter votado 94 vezes a favor de aumentos de impostos, quando na verdade as vezes que votou por aumentos (11) estes eram direccionados apenas aos mais ricos.

APOIO ÀS PETROLÍFERAS

Joe Biden acusou John McCain de apoiar reduções fiscais para as petrolíferas, quando na verdade ele apoia cortes nos impostos pagos pelas empresas e companhias de todos os ramos.

 

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