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PAPA NA MIRA DA AL-QAEDA

A organização terrorista al-Qaeda preparou um atentado contra a vida do Papa, a ser executado durante a visita de João Paulo II às Filipinas em 1999, mas a viagem foi cancelada no último momento, por razões de saúde do Sumo Pontífice.
11 de Novembro de 2002 às 10:22
PAPA NA MIRA DA AL-QAEDA
PAPA NA MIRA DA AL-QAEDA
De acordo com a notícia de hoje publicada na edição on-line do jornal britânico The Times (em www.timesonline.co.uk), a conspiração contra a vida do Papa foi dirigida por Khalid Sheikh Mohammed, um colaborador próximo de bin Laden que participou na preparação dos atentados do 11 de Setembro de 2001 e no primeiro ataque ao World Trade Center, em 1993.

Khalid Sheikh Mohammed já escapou a pelo menos duas tentativas de captura, é um mestre no disfarce, vive escondido em capitais ocidentais e asiáticas e é um dos homens mais procurados pela justiça norte-americana, que oferece 25 milhões de dólares por informações que conduzam à sua captura. A importância de Khalid Sheikh Mohammed no terrorismo internacional fica provada, por exemplo, pelo facto de o bombista suicida que matou 21 pessoas numa sinagoga na Tunísia lhe ter telefonado minutos antes do ataque.

Khalid Sheikh Mohammed esteve também envolvido numa primeira conspiração contra a vida do Papa, durante uma visita que João Paulo II efectuou às Filipinas em 1995. Este plano, que já era conhecido, fracassou devido a um acidente durante a preparação da bomba que deveria ser colocada próximo do local onde o Papa iria rezar missa, num parque da capital filipina. Ramzi Youssef, sobrinho de Khalid, detonou prematuramente o engenho, num apartamento da cidade, e foi detido pouco depois. Khalid ‘evaporou-se’. Segundo o jornal britânico, o plano de 1995 envolvia ainda a colocação de atiradores furtivos no parque, para matar pessoas em fuga e aumentar o caos gerado.

Para a visita do Papa às Filipinas em 1999, Khalid Sheikh Mohammed tinha preparado um novo atentado, mas João Paulo II cancelou a viagem no último momento. Este plano só hoje foi revelado e levanta questões de segurança para a próxima visita do Sumo Pontífice às Filipinas, agendada para 23-26 de Janeiro do próximo ano mas ainda sem confirmação final por parte do Vaticano.

Documentos encontrados num apartamento que servia de refúgio a Khalid em Carachi, Paquistão, mostram que ele visitou as Filipinas diversas vezes, para preparar o atentado de 1999 e recrutar voluntários para os campos de treino da al-Qaeda no Afeganistão. Mais uma vez, na rusga a esse apartamento, Khalid Sheikh Mohammed fugiu, mas Ramzi bin al-Shibh, outro colaborador de bin Laden, foi capturado.

O Vaticano ainda não comentou estas informações, mas os serviços italianos de informação têm cada vez mais indicações de que a al-Qaeda está interessada em atentar contra a vida do Papa, ou de “um alvo simbólico no Vaticano”. Facto é que a segurança em redor e dentro da Santa Sé foi reforçada e que já ninguém entra na Praça de São Pedro, para missas ao ar livre, sem passar por detectores de metais.

Os peritos em contra-terrorismo assumem que Khalid Sheikh Mohammed deverá insistir na conspiração contra o Papa. Rohan Gunaratna, especialista em terrorismo e autor do livro “Dentro da al-Qaeda”, argumenta: “Eles (a al-Qaeda) regressam frequentemente a assuntos inacabados. Quando não destruíram o World Trade Center da primeira vez (em 1993), regressaram (em 2001) para acabar com ele. Foi assim com o Papa nas Filipinas”.
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