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Correio da Manhã

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Papa pede aos políticos alemães que não remetam religião para a esfera privada

O papa Bento XVI pediu hoje aos políticos alemães que não remetam a religião para a esfera privada, e "reconheçam a dimensão pública da religião", durante um encontro com líderes islâmicos, em Berlim.
23 de Setembro de 2011 às 10:44
Bento XVI, Alemanha, comunidades islâmicas
Bento XVI, Alemanha, comunidades islâmicas FOTO: Agências

"Uma sociedade pluralista não pode subsistir, a longo prazo, sem consenso  em torno dos seus valores éticos fundamentais", sublinhou Bento XVI, elogiando  o "clima de respeito crescente" na Alemanha entre a igreja católica e as  comunidades islâmicas.  

Na opinião do papa, cristãos e muçulmanos "partindo da sua fé, podem  dar um importante testemunho comum, em muitos domínios da vida quotidiana,  no que respeita, por exemplo, ao valor atribuído ao casamento e à família,  à protecção da vida em todas as suas fases ou à promoção da paz e da justiça  social".  Bento XVI exortou ainda cristãos e muçulmanos a conhecerem-se melhor,  para se entenderem melhor. 

Após o encontro com representantes das comunidades islâmicas na Alemanha,  o papa deixou Berlim a caminho de Erfurt, onde  prosseguirá a visita oficial de quatro dias ao seu país natal.   

Na capital da Turíngia, Bento XVI vai reunir-se no Convento dos Agostinhos,  primeira oficina do monge reformador Martinho Lutero, com representantes  da igreja protestante, que tem sensivelmente o mesmo número de fiéis do  que a igreja católica na Alemanha, cerca de 25 milhões de pessoas.  

Etapa significativa

Trata-se de uma das etapas mais significativas da visita do papa, que  se iniciou na quinta-feira com um discurso no parlamento, onde  apelou aos políticos para distinguirem melhor a justiça da injustiça.  

A estadia do papa em Berlim foi acompanhada por alguns protestos, que  culminaram numa manifestação de cerca de 10 mil pessoas no centro da cidade,  contra a doutrina sexual do Vaticano.  

 A televisão pública ZDF revelou entretanto que Bento XVI vai encontrar-se  com vítimas de abusos sexuais em instituições da igreja católica na Alemanha  - mas longe das câmaras e dos microfones da imprensa, segundo um membro  da cúria que acompanha o bispo de Roma.   

 

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